sábado, 18 de dezembro de 2010

ronaldo








Primeiros anos
Ronaldo teve uma infância pobre, embora não miserável.[1] Apaixonado por futebol, costumava matar aulas em Bento Ribeiro para dançar no clube Valqueire Tênis Clube, perto de sua casa.[3] Chegou a tentar treinar no Flamengo, mas por não ter dinheiro para pagar as quatro conduções até a sede do time,[1] foi parar no São Cristóvão. Além de ser mais perto de sua casa, o próprio clube lhe deu dinheiro para o transporte.[5]

Aos 14 anos, teve seu passe comprado pelos empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pitta por US$ 7.500.[1][6] O jovem, que não conseguiu treinar no Flamengo, seria "perdido" por outros dois grandes clubes, Botafogo e São Paulo: para o alvinegro, o emprésario Reinaldo Pitta quis doar 50% do passe do jovem, que teria uma boa vitrine. Com a negativa, Ronaldo foi oferecido por 25 mil reais ao tricolo, que quis pagar 15 mil.[7]

Jairzinho o viu no São Cristóvão e pagou dez mil dólares pelo menino.[5] Revendeu-o para uma ex-equipe sua, o Cruzeiro. A equipe mineira ficou convencida a aceitá-lo após Ronaldo salvar-se em meio à má campanha da Seleção Brasileira sub-17 que disputou no campeonato sul-americano da categoria, em que o garoto foi artilheiro com oito gols,[8] enquanto o Brasil terminou em quarto lugar e fora do Campeonato Mundial de Futebol Sub-17 de 1993, primeira e única vez em que o time não se classificou para o torneio.

Cruzeiro e a Seleção
Foi com 16 anos que Ronaldo fez sua estreia no futebol profissional, defendendo o Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro de 1993. Na Raposa, foi logo tratado como fora-de-série, sendo o primeiro atleta amador a viver na concentração dos profissionais. Antes do torneio nacional, Ronaldo havia disputado somente amistosos e partidas de nível local pelo Cruzeiro, além de acompanhar a delegação do time à Porto Alegre, onde ocorreria a decisão da Copa do Brasil, contra o Grêmio.[1]

Seu primeiro gol pelo time profissional foi marcado em amistoso contra a equipe portuguesa d'Os Belenenses, cuja torcida o aplaudiu de pé ao fim da partida. Voltou da excursão por Portugal despertando interesses italianos, recebendo a primeira sondagem da Internazionale de Milão, recusada mesmo com proposta de 500 mil dólares - uma valorização de 1000% do seu passe em cinco meses.[1] Já a primeira exibição em rede nacional de televisão foi em 7 de setembro daquele ano, em um jogo do seu clube, Cruzeiro, contra o Corinthians.[9][10]

Destaque da equipe cruzeirense naquele Brasileiro, Ronaldo marcou 12 gols no torneio nacional em 14 partidas, tendo sido o terceiro maior goleador da competição.[11][nota 1] Em uma de suas memoráveis partidas, o atacante marcou 5 gols contra o Bahia,[12] humilhando o celebrado goleiro adversário, o uruguaio Rodolfo Rodríguez, que perdeu a bola para ele em um dos gols. Jogando também na equipe júnior, foi artilheiro do Cruzeiro na Supertaça Minas Gerais e tirou o clube de um jejum de quatro anos sem vencer o rival Atlético Mineiro na categoria.[1]

Ainda naquele ano, o jovem Ronaldo sagrou-se artilheiro da Supercopa da Libertadores, com 8 gols,[13] e foi convocado para jogar na Seleção Brasileira sub-17.[6] A decisão seguinte foi a Recopa Sul-Americana, contra o São Paulo. Nela, Ronaldo teve seu primeiro grande revés como profissional: a decisão encaminhou-se para os pênaltis e Zetti defendeu a cobrança do jovem, garantindo o título aos tricolores. O ano terminou com o seu passe valendo 10 milhões de dólares.[1]

Na temporada seguinte, em 1994, Ronaldo seguiu mais uma vez como destaque do Cruzeiro. O atacante foi o artilheiro do Campeonato Mineiro, com 21 gols.[14] Logo, o jovem jogador chamou a atenção de clubes europeus e, em uma transferência de US$ 6 milhões, vai para o PSV Eindhoven (dos Países Baixos). Ronaldo deixou o Cruzeiro pouco antes da Copa do Mundo de 1994, com uma marca de 57 gols em 59 partidas.[15]

PSV Eindhoven
No PSV Eindhoven, da Holanda, Ronaldo destacou-se mais uma vez como artilheiro, tendo marcado 67 gols em 71 partidas oficiais.[15] No Campeonato Neerlandês, mesmo sem dominar a língua neerlandesa (o que lhe atrapalhava na comunicação com os colegas), foi artilheiro com 30 gols, doze a mais que o rival criado pela imprensa para ele, Patrick Kluivert, dois meses mais velho e jogador do Ajax. O Ajax, cujo forte time seria campeão da Liga dos Campeões da UEFA, acabaria campeão também da Eredivisie - o PSV terminou em terceiro.[1]

A Inter de Milão continuava a rondar - ao final da temporada, em maio, um representante sondou os dirigentes do PSV, e o próprio vice-presidente foi conversar com o jogador na véspera de um Brasil x Uruguai (em que ele marcou os dois gols na vitória por 2 x 0). Os interistas, no momento, acabaram fechando com outro membro da delegação brasileira, Caio.[1]

Ainda em 1995, seus primeiros problemas no joelho começaram a se manifestar. A primeira cirurgia ocorreria em fevereiro do ano seguinte, após uma ressonância magnética constatar inflamações nos joelhos e calcificação no direito,[1] joelho em que passou então por uma "raspagem" na cartilagem.[6] Apesar da recomendação de passar por uma recuperação lenta, no final de abril Ronaldo já estava de volta aos campos, mas frequentando o banco. A reserva imposta pelo técnico Dick Advocaat começou a irritá-lo. Ronaldo não perdoaria o treinador após ser usado apenas nos quinze minutos finais da decisão da Copa dos Países Baixos. O torneio foi conquistado, no que seria a última partida do jovem na equipe da Philips: voltaria dos Jogos Olímpicos de Verão de 1996 já como jogador do Barcelona.[1]

Surge o "Fenômeno"

Ronaldo cobrando um pênalti pela equipe do Barcelona contra o Paris Saint-Germain, na final da UEFA Cup Winners' Cup de 1997.No meio daquele ano, Ronaldo transferiu-se para o Barcelona, da Espanha, por US$ 20 milhões, à semelhança de sua dupla de ataque na Seleção Brasileira, Romário, outro a sair do PSV rumo ao Barça. Ronaldo faria juz ao dinheiro gasto, fechando o ano de 1996 com dezessete gols em vinte partidas.[1] Acabaria eleito pela primeira vez o melhor jogador do mundo pela FIFA. Suas atuações lhe valeram o apelido de El Fenómeno.

A temporada 1996/97 encerrou-se sem o título espanhol, que por dois pontos ficou com o rival Real Madrid. Ainda assim, Ronaldo, artilheiro do Espanhol com 34 gols em 37 jogos, levantou a Copa do Rei e a Recopa Europeia, com gol dele na decisão contra o Paris Saint-Germain. Feliz na Catalunha, foi com espanto que divulgou-se que a Internazionale finalmente conseguira acertar com ele, pagando a multa rescisória de 32 milhões de dólares;[1] a razão teria sido a negação do presidente blaugrana Josep Lluis Núñez em aumentar o salário do atacante.

Os empresários Pitta e Martins, que pediram pelo aumento, negociaram com outras equipes italianas, dentre elas Juventus e Lazio, até fechar com a Inter. Ronaldo estava na Noruega, onde o Brasil faria amistoso contra a seleção local (perderia por 2 x 4), quando a transferência foi concretizada, e não escondeu a decepção em deixar o Barcelona. Ainda assim, declarou-se feliz com o desafio de jogar na Itália.[1] O contrato seria assinado em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde realizava-se a Copa América.

Internazionale e as graves lesões

Foi na Inter que o fenomêno viveu uma de suas piores crises, com a contusão em 2000 contra a Lazio, e de suas melhores glórias com a conquista da Copa do Mundo de 2002.A Inter não ganhava o Campeonato Italiano havia sete anos e Ronaldo, usando a camisa 10 (o seu característico número 9 pertencia ao chileno Iván Zamorano) não decepcionou o clube: encerrou o ano de 1997 com quatorze gols em dezenove jogos oficiais, e novamente eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA. Ele, agora Il Fenomeno,[1] recebeu também a Bola de Ouro da France Football (a publicação francesa o ignorara no ano anterior em favor do alemão Matthias Sammer).

Na Inter, Ronaldo continou a fazer seus gols e terminaria o campeonato na vice-artilharia, com 25, dois a menos que o alemão Oliver Bierhoff, mas sendo o estrangeiro que mais gols fez em sua temporada de estreia na Serie A.[1] Entretanto, o título seria polemicamente perdido para a arquirrival Juventus, em um confronto direto em que um pênalti não-marcado de Mark Iuliano sobre ele repercutiu por semanas no país.[1] 1997/98 veria como consolação o título da Copa da UEFA.

A temporada 1998/99 começou com a sua convulsão pouco antes da final da Copa do Mundo de 1998 ainda rendendo comentários. A Inter fez um campeonato ruim e viu o outro rival, o Milan, ganhar o título. Usando finalmente o número 9 (Zamorano ficou com a camisa 1+8), Ronaldo pouco jogaria pelos nerazzurri, por diversos fatores: ora tendinite, ora compromissos com patrocinadores (Brahma, Parmalat, Pirelli e Nike[1]), ora a Seleção Brasileira. 1999/00 seria de menos partidas ainda: em jogo contra o Lecce, estourou o joelho e teria de esperar cinco meses para voltar aos gramados.[1]

Ronaldo voltou em 12 de abril de 2000, uma semana após o nascimento de seu filho Ronald, em jogo válido pelas decisões da Copa da Itália, contra a Lazio. Mal entrou em campo, seu joelho direito cedeu no primeiro drible, saindo do lugar. No dia seguinte, iniciou nova recuperação, desta vez bem mais lenta: oito meses foram inicialmente previstos, que depois resultariam em quinze. 2001 veio e Ronaldo continuou sua volta gradual e cuidadosamente. Voltou a jogar oficialmente em partida da Copa da UEFA, contra o Braşov, da Romênia. Pequenas contraturas e estiramentos, entretanto, impediram-no de jogar normalmente naquele ano.[1]

A temporada 2001/02 prosseguiu com ele sendo utilizado ocasionalmente.[1] A Inter liderava o campeonato e poderia finalmente quebrar o jejum, que se arrastava já havia doze anos. Na última rodada, a adversária seria a mesma Lazio que trazia más recordações ao atacante. Acaso ou não, a Internazionale perdeu por 2 x 4 e a taça parou na rival Juventus. Substituído no decorrer do jogo, Ronaldo chorou para as câmeras.

Tempos de mudança vieram após a supreendente Copa do Mundo de 2002. Milão recebeu de braços abertos o comandante do pentacampeonato da Seleção Brasileira. Ronaldo, entretanto, começou a forçar a sua saída. A razão seria a permanência do técnico Héctor Cúper, a quem acusava de usá-lo em campo sem condições físicas. Inicialmente, Ronaldo se ofereceu à sua ex-equipe do Barcelona. Em crise, o clube catalão não podia arcar com a multa rescisória.

O rival Real Madrid então veio e, por 35 milhões de euros, o levou em 31 de agosto, quando se esgotava o prazo para as inscrições na temporada 2002/03. Ronaldo deixou a Inter tendo ganho apenas uma Copa da UEFA em cinco anos, com a torcida sentindo enorme ingratidão do brasileiro: para eles, o atacante virou Il Fuggitivo,[1] ainda mais em função de que outra razão para a saída seria a insatisfação do jogador em receber menos que os colegas Christian Vieri e Álvaro Recoba.

Real Madrid

Pelo Real Madrid, assim como foi ídolo, também foi muito criticado pela forma física, longe da ideal.Estreou no clube merengue em partida contra o Alavés. Marcou duas vezes em vitória por 4 x 2. Apesar da ótima estreia, sofreria com vaias nos jogos seguintes, em decorrência da frequência apenas razoável de gols, e também pelo fato de que seus substitutos contumazes - Fernando Morientes, Guti e Javier Portillo - costumarem marcar nos poucos minutos em que tinham em campo. Substituições, por sinal, frequentes: nos 35 primeiros jogos em que fez pelo Real, saiu no decorrer de 22 partidas.[1]

Mesmo eleito pela terceira vez o melhor jogador do mundo pela FIFA ao final de 2002, as vaias só sossegaram após sua grande atuação contra o Manchester United, na Liga dos Campeões da UEFA. Na casa do adversário, em Old Trafford, Ronaldo marcou três vezes na derrota por 3 x 4, que classificou o time às semifinais.[16] Entretanto, novamente a Juventus apareceu-lhe: o clube italiano acabou eliminando os blancos nas semifinais. A frustração foi compensada com o título espanhol, o primeiro campeonato nacional em que Ronaldo saboreou conquistar. O troféu, disputado acirradamente com a Real Sociedad, foi garantido com vitória sobre o Athletic Bilbao com dois gols dele, que, com 23 tentos, foi o artilheiro da Liga.

Ronaldo foi a terceira contratação dita galáctica do time madrilenho: os dois primeiros foram seu ex-colega de Barcelona, Luís Figo, em 2000; e o francês Zinédine Zidane, em 2001. O clube reunia ainda as estrelas mundiais Raúl e Roberto Carlos. A temporada de 2003/04 começou com um novo galático, este em que o peso das receitas de marketing eram assumidamente maiores do que o da técnica: David Beckham.[17]

O estelar elenco acabaria naufragando nos torneios: ficou apenas em quarto no Espanhol, perdeu a decisão da Copa do Rei para o fraco Real Zaragoza e, na Liga dos Campeões da UEFA, caiu ante ao futuro vice-campeão Monaco. O jejum continuou na de 2004/05 e 2005/06; para piorar, foram temporadas em que o rival Barcelona conseguiu o título espanhol em ambas, além da Liga dos Campeões da UEFA na segunda.

2006/07 começou sem Florentino Pérez, responsável pelas contratações galáticas, na presidência, e com o clube preocupando-se em voltar aos títulos. Ronaldo passou a ser sombreado pela contratação de Ruud van Nistelrooy.[18] Sem espaço, constantemente criticado pelo seu peso, Ronaldo decidiu deixar o Real no decorrer da temporada. Acertou sua volta à Milão, mas não na Internazionale e sim em um rival: o Milan.

Milan
O Milan tinha poucas condições de vencer o Campeonato Italiano: iniciara a competição com oito pontos negativos, como punição do envolvimento do clube no que ficou conhecido como Calciocaos, escândalo de manipulação de resultados. Na Liga dos Campeões da UEFA, Ronaldo não poderia jogar: o regulamento impedia que um mesmo jogador defenda duas equipes diferentes, e ele já havia atuado pelo Real. Acabaria assistindo das tribunas os colegas vencerem o torneio. No Milan, ele voltou a deixar crescer os cabelos, em uma forma de diferenciar-se dos tempos de Internazionale, onde ostentava uma careca bem raspada.

A estrutura do clube rossonero permitiu-lhe descobrir que possuía hipotireodismo, razão de sua engorda. Ronaldo tratou o problema e iniciou a temporada 2007/08 cinco quilos e meio mais magro.[19] O Fenômeno também formou um trio com os compatriotas Kaká e Alexandre Pato denominado Ka-Pa-Ro.

A promissora temporada, entretanto, acabaria para ele em 13 de fevereiro de 2008, no jogo contra o Livorno. Após substituir Gilardino no segundo tempo, Ronaldo, em sua primeira participação no jogo, acabou se lesionando na hora de um salto, saindo de campo em seguida chorando, em uma noite que relembrou a ocasião em que lesionou o joelho contra a Lazio, em 2000.[20]

A temporada 2007/08 encerrou com ele parado e desligado do Milan, que decidiu não renovar com ele.

Treinamento no Flamengo
Após sua saída do Milan, Ronaldo manifestou algumas vezes o desejo de defender o Flamengo, do qual é torcedor declarado. O craque chegou a treinar no clube da Gávea a partir de setembro[21] para recuperar-se da cirurgia no joelho. Já havia sido sondado pelo time do coração no início do ano, quando o Flamengo estava fazendo propostas para a Libertadores da América.[22] Na ocasião, porém, as conversas não prosseguiram.

Já vários dias no treinamento do Flamengo, ao que parecia ele voltaria ao futebol europeu, onde havia boatos de sua contratação pelo Manchester City,[23] da Inglaterra, e o Paris Saint-Germain,[24] da França.

Ainda em sua passagem pelo Flamengo, Ronaldo viu mais uma vez seu nome estampado nos principai tablóides e jornais, porém dessa vez ligado a um escândalo.

Na madrugada de 28/04/2008, Ronaldo se envolveu em uma confusão com travestis. O travesti André Luis Ribeiro Albertino, conhecido como Andréa Albertini (morto em 9 de julho de 2009, em decorrência da AIDS), acusou o jogador de não ter pago por um programa feito em um motel da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Este fato marcou o fim do noivado com Maria Beatriz Antony.

Corinthians

Ronaldo com o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, em Brasilia, 2 de Julho de 2009.A princípio, o interesse do Corinthians na contratação de Ronaldo foi tratado como algo impossível no Parque São Jorge. Em uma reunião para falar sobre a permanência do atacante Morais na equipe corintiana, também empresariado por Fabiano Farah, o assunto Fenômeno surgiu na pauta. Após vários dias treinando na Gávea e sem receber nenhum projeto para ficar no clube,[25] Ronaldo acertou a sua volta ao Brasil depois de 14 anos[26] pelo Corinthians.[27][28] Em 9 de dezembro de 2008, o anuncio da contratação do Fenômeno foi feito pelo presidente corintiano Andrés Sanchez através do site oficial do clube.[29][30][31] Em 12 de dezembro, a diretoria organizou uma festa pela chegada do jogador no clube com a presença de torcedores no Estádio Alfredo Schürig.[32] Ronaldo assinou oficialmente o contrato em 17 de dezembro.[33] O atacante receberia o valor fixo de R$400 mil mais valor no patrocínio da camisa do clube, onde 20% seriam do patrocinador principal e 80% de manga e calção.

Durante os primeiros dois meses no Corinthians, Ronaldo realizou trabalhos físicos para que pudesse ter condições para retornar aos gramados. Aos poucos, o jogador começou a treinar junto aos demais atletas do elenco corintiano[34] e aumentavam as expectativas para sua reestreia no futebol brasileiro.[35]

No dia 4 de março de 2009, Ronaldo fez seu retorno ao futebol em partida contra o Itumbiara pela Copa do Brasil. O jogador, que começou o jogo entre os reservas, jogou por vinte e sete minutos durante o segundo tempo.[36][37]


Contra o Itumbiara na Copa do Brasil de 2009, Ronaldo entrou aos 32 min. do 2º tempo e fez sua estreia pelo Timão.Na partida seguinte, no clássico contra o Palmeiras, em 8 de março de 2009, pelo Campeonato Paulista o técnico Mano Menezes novamente deixou Ronaldo entre os reservas e o colocou durante o segundo tempo. E aos 47min do segundo tempo, o "Fenômeno" marcou seu primeiro gol como jogador do Corinthians (de cabeça, após cobrança de escanteio realizada por Douglas), gol este que assegurou o empate contra a equipe palmeirense.[38][39] O gol foi assunto em vários portais de notícias em todo o mundo.[40] Três dias depois, em sua terceira partida após seu retorno ao futebol, contra o São Caetano, Ronaldo foi escalado pela primeira vez como titular. Além de jogar durante mais de 80 minutos, o atacante marcou o gol da vitória corintiana.[41][42]

Na campanha do Corinthians no Campeonato Paulista, Ronaldo mostrou-se um dos principais jogadores da equipe, mesmo muito acima do seu peso ideal, tendo marcado oito gols em dez partidas que disputou,[43] e novamente chamou a atenção internacional por suas atuações destacadas, especialmente na segunda partida da semifinal contra o São Paulo[44][45][46] e na primeira partida da decisão contra o Santos.[47][48][49][50]

Jogando com a camisa do Corinthians, Ronaldo foi campeão logo nos dois primeiros campeonatos que disputou: Campeonato Paulista 2009 e Copa do Brasil 2009. Além dos resultados esportivos, a parceria entre Ronaldo/Corinthians rendeu também fora de campo onde o valor de patrocínio do clube chegou a R$30 milhões de reais, maior valor pago a um clube brasileiro.[51] Apesar de toda repercussão, o "Fenômeno" segue acima do peso e fora de sua melhor forma.

Seleção Brasileira
O início
Ronaldo recebeu as primeiras convocações para as seleções de base do Brasil quando ainda estava no São Cristóvão. Foi artilheiro do Campeonato Sul-Americano de juniores na Colômbia, em 1993,[1] sendo o único destaque individual do time que terminou apenas em quarto lugar e fora do Campeonato Mundial de Futebol Sub-17 de 1993.[8] Recebeu a primeira chance na principal em março de 1994, às vésperas da Copa do Mundo naquele ano, em jogo contra a Argentina.

Foi usado também em amistoso contra a Islândia em maio, o último antes da convocação a ser feita pelo técnico Carlos Alberto Parreira. Ronaldo marcou um dos gols na vitória por 3 x 0 e foi incluído pelo treinador entre os 22 convocados, desbancando o experiente Evair. Já nos Estados Unidos, entretanto, não agradou a Parreira nos treinamentos, e foi deixado de lado. Na decisão, muitos já pediam pelo garoto de dezessete anos, o mais jovem daquele mundial, mas Parreira preferiu chamar do banco Viola.[1]

Ainda assim, o jogador, campeão sem jogar, já despertava certezas de seu potencial. Enzo Bearzot, técnico da Itália na vitoriosa Copa do Mundo de 1982, já o chamava de "fenômeno",[1] e o pensamento geral era de que o garoto triunfaria na Copa seguinte. Um ano depois, Ronaldo conseguiu seu primeiro troféu com a Seleção principal, em um torneio amistoso organizado pela Umbro entre as Seleções cujos uniformes eram feitos pela empresa britânica. Ele marcou um dos gols no 3 x 1 contra a Inglaterra, em pleno Wembley, na decisão.[1] Em 1995, ainda sem espaço, integrou o grupo que disputou e perdeu a Copa América daquele ano, para o anfitrião Uruguai.

Já como seu lugar Seleção, retornou com a delegação brasileira aos Estados Unidos, agora para participar das Olimpíadas de 1996. Devido à recuperação da lesão que lhe tirara lugar no PSV, Ronaldo foi poupado da partida inaugural, com o técnico Zagallo escalando Sávio em seu lugar. Como o Brasil vergonhosamente perdeu para o Japão, foi escalado como titular já no segundo jogo.[1] Nos Jogos de Atlanta, Ronaldo marcaria cinco gols e seria um dos poucos poupados[1] quando o Brasil caiu nas semifinais perante a Nigéria, restando um bronze decepcionante.

Como a grande estrela
Um ano depois, agora uma estrela mundial, vindo de grande temporada no Barcelona, Ronaldo jogou a Copa América de 1997 e voltou campeão, com cinco gols marcados, jogando contra a anfitriã, a Bolívia, na altidude de La Paz (em que ele marcou uma vez na vitória de 3 x 1). Pouco depois, participou ativamente do primeiro título do Brasil na Copa das Confederações de 1997. Todavia, tinha de conviver em meio à conquista com um séquito de jornalistas à caça de sua imagem, tirando-lhe bastante espaço, tranqulidade e calma.[5] Um ano depois, sendo o principal personagem e referência da seleção - ainda mais após o corte de Romário -, jogou pela primeira vez uma Copa do Mundo.

O mundial da França prometia ser a sua consagração. Ronaldo, que foi ao torneio como duas vezes o melhor jogador do mundo pela FIFA, marcou cinco vezes: um contra o Marrocos (3 x 0), na primeira fase; dois contra o Chile (4 x 1), nas oitavas; um contra a Dinamarca (3 x 2), nas quartas; e um contra os Países Baixos (1 x 1), nas semifinais, tendo ainda acertado a sua cobrança na decisão por pênaltis nesta partida. Tudo isso a despeito de sofrer com lesões na perna (que ele tratava com analgésicos), agravadas na partida contra o Marrocos; na Copa de 1998, Ronaldo deu arranques curtos seguidos por períodos de quase apatia em campo. A mídia também não ajudava: durante o torneio, mais de mil jornalistas andavam atrás do astro, bem como os patrocinadores.[5]

Horas antes da decisão, contra a anfitriã França, Ronaldo foi abatido por uma misteriosa convulsão, diagnosticada desde como estresse até como ataque epilético. Deixou o hospital onde foi levado apenas 75 minutos antes da partida. Vendo que seu principal jogador não tinha condições de jogo, Zagallo optou por escalar Edmundo em seu lugar, mas o próprio Ronaldo apareceu, a 40 minutos do início da partida, declarando-se apto, o que dividiu o grupo entre aqueles que defendiam não mais alterações na escalação, já divulgada, como aqueles que queriam a inclusão do Fenômeno entre os finalistas titulares.[5]

Ronaldo mal andou em campo, apenas observando os franceses ganharem por 3 x 0 e levarem pela primeira vez a Copa. O assunto continuou a render por muito tempo, sendo abordado até quando Ronaldo foi chamado a comparecer em uma CPMI, em 2001.[1] Uma provável causa foi os altos níveis de estresse decorrentes da pressão exercida pela imprensa, patrocinadores e da torcida brasileira, que esperava muito dele.[5]

Como na Copa de 1998, na Copa América de 1997 e nas Olimpíadas de 1996, marcou outros cinco gols na Copa América de 1999, dois deles contra os rivais Argentina (2 x 1, quartas-de-final) e Uruguai (3 x 0, decisão). Afastado dos jogos da Internazionale devido ao joelho estourado, acabou não chamado para a Copa das Confederações de 1999, em que o Brasil perdeu o título para o México. Seguidas lesões no joelho, a mais grave em 2000, foram lhe afastando também da Seleção.

Renascendo para a Seleção e o futebol

Fachada do prédio Oberbaumbrücke na Berlin-Kreuzberg, retrada Ronaldo e Ronaldinho com a camisa da seleção.Sem ritmo de jogo e com uma imensa cicatriz no joelho direito, foi ainda assim chamado para a Copa do Mundo de 2002 por Luiz Felipe Scolari. Depois de dois anos, voltou a jogar pela Seleção em março, em amistoso contra a Iugoslávia. Voltou a marcar no final de maio, contra a Malásia.[1] A Copa veio e o Fenômeno ressurgiu, marcando oito vezes, deixando de anotar um tento apenas contra a Inglaterra. A artilharia do mundial incluiu os dois gols na decisão, contra a Alemanha.

A campanha na Copa foi determinante para que ele voltasse a ser levado seriamente, bem como para que recebesse pela terceira vez o prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA, ao final do ano. Ronaldo voltou a ser intocável na Seleção, o que incluiu regalias dadas pelo técnico Carlos Alberto Parreira, que o dispensava de competições menos priorizadas, costumando chamá-lo apenas para as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006. Quatro anos se passaram sem que Ronaldo disputasse algum torneio pelo Brasil, só sendo chamado por conta do mundial da Alemanha. Na ocasião, ele já não era a maior estrela do Brasil, e sim seu xará e fã Ronaldinho Gaúcho, com quem compunha o "Quadrado Mágico", ao lado de Kaká e Adriano.

Na Copa, o país apresentou um futebol decepcionante. Ronaldo foi ao torneio longe da melhor forma física. Ainda assim, demonstrou lampejos de craque, marcando três vezes. O terceiro deles, que o fez ultrapassar o alemão Gerd Müller e tornar-se, com a soma de quinze gols, o maior artilheiro das Copas do Mundo, surgiu em bela jogada individual em que driblou o goleiro de Gana. A partida, válida pelas oitavas-de-final, terminou com vitória canarinha por 3 x 0 e abriu esperanças de uma revanche contra a França de Zinédine Zidane, carrasco do mundial de 1998 e colega de Ronaldo no Real Madrid.

Os brasileiros, entretanto, jogaram apaticamente contra os franceses, e Zidane exibiu sua melhor forma, chegando a realizar um drible de chapéu em Ronaldo. O Brasil terminou eliminado ali e o Fenômeno foi um dos crucificados pela interrupação do sonhado hexacampeonato, não sendo mais chamado pela Seleção desde então.

Polêmica
Na madrugada do dia 28 de abril de 2008, Depois de uma festa na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, na qual comemorava uma vitória do Flamengo, Ronaldo passou pela orla da Barra, e chamou o travesti André Luiz Ribeiro Albertini, conhecido como Andréia Albertini, a quem levou para o motel Papillon. A eles se juntaram ainda outros dois travestis. Ainda no motel o travesti decidiu chantagear Ronaldo.[52]

No fim do ano passado, o caso chegou aos tribunais. Andréia foi acusada formalmente por extorsão contra o jogador. Em 3 de outubro de 2008 o apartamento em que morava Albertini pegou fogo, morrendo um travesti que era sua colega de quarto.[53] Adréia Albertini morreu no início de julho de 2009 devido a meningite na cidade de Mauá.[54]

Carlos Tévez






Carlos Tévez

Infância e juventude
Tévez cresceu em Fuerte Apache, favela de Buenos Aires, onde deu seus primeiros passos no futebol com o time de amigos de seu edifício.[1] Chegou a jogar na mesma equipe juvenil de seu futuro técnico, Carlos Bianchi, o Villa Real.[1] Seu maior ídolo na infância era o brasileiro Ronaldo, tendo declarado seu desejo em jogar ao lado dele, cujo pôster continuou a enfeitar seu quarto mesmo após a fama.[4]

Tévez era fã também de outros jogadores que, como ele um dia seria, eram caracterizados pela garra em campo: ao eleger seu elenco titular ideal para a Placar, agrupou por essa qualidade o compatriota Gabriel Heinze e o colombiano Mauricio Serna, um ídolo seu do Boca Juniors. Do mesmo clube, colocou também Óscar Córdoba, Hugo Ibarra, Diego Maradona e Gabriel Batistuta, junto do ídolo-mor Ronaldo e de Roberto Ayala, Paolo Maldini, Zinédine Zidane e do amigo Javier Mascherano.[7]

Já era conhecido por apelidos pejorativos em relação às suas cicatrizes de queimadura, ocasionadas com a queda de água fervente quando ele ainda tinha cerca de um ano.[1] Já o acidente que partiu um dente incisivo veio aos nove anos, quando chocou-se em uma brincadeira com uma menina - por coincidência, a irmã de sua futura esposa.[1]

[editar] Carreira
Quando terminou o segundo grau para um curso técnico com formação para mestre-de-obras, foi chamado para os juvenis do All Boys, time da Primera División B Argentina.[1] Passaria quatro anos no Albo e poderia ter ido ao Argentinos Juniors, clube famoso pelo bom trabalho nas categorias de base. Nos juvenis do Argentinos estava a pessoa que o levara ao All Boys, Raúl Maddoni.[1] Tévez, todavia, não achou que viveria situação muito diferente na equipe que revelou Diego Maradona e preferiu não sair.[1]

[editar] Boca Juniors
Quando o mesmo Maddoni, porém, chegou ao Boca Juniors e voltou a chamá-lo, o garoto não teve dúvidas. Sendo um torcedor fanático do time, Tévez transferiu-se aos juvenis do Boca em 1997, na mesma época em que foi reconhecido pelo pai. A troca do sobrenome "Martínez" por "Tévez" chegaria a gerar uma confusão: houve quem divulgasse que o clube o roubara do All Boys, aliciando seus pais, e que o teria inscrito como "Tévez" para que a manobra não fosse percebida.[1]

Tirei o Martínez, que é da minha mãe, e pus Tévez, porque meu velho me reconheceu, não pela questão do passe. Que trapaça seria essa, se o número do documento é o mesmo? Quem falou demais foi um tipo que tinha 20% do meu passe como 'Martínez', não como 'Tévez', mas que não sabia nada da minha família nem de meu passado.[1]

— Esclarecendo a confusão gerada com a troca do sobrenome

Chegou ao Boca ainda na primeira das categorias de base.[1] Seus 44 gols nos dois primeiros anos o levaram à Seleção Argentina sub-15. Foram três anos até que o treinador Carlos Bianchi o chamasse para o time principal, em 2000. Realizava o sonho de treinar e acompanhar ainda mais de perto os seus ídolos, a quem entregava bolas durante os jogos como gandula até o ano anterior.[1] O maior deles, Juan Román Riquelme, presenteou-o com suas chuteiras, que ele futuramente passaria a usar.[1]

Me encantava estar dentro da Bombonera, atrás dos painéis de publicidade, sentindo o grito da torcida. Via de perto Serna, Guillermo, Román... Quando comecei a treinar com eles, transformei um sonho que tinha em realidade[1]

— Sobre sua chegada ao time principal do Boca


Tévez no Boca Juniors, seu clube do coração.A estreia, porém, demoraria até o ano seguinte, em 21 de outubro de 2001, em uma derrota para o Talleres, em Córdoba.[1] Já não morava em Fuerte Apache: o clube mantinha sua promessa em um apartamento no bairro de Versalles.[1] Posteriormente, ele se mudaria para o de Villa Devoto, de classa média-alta, trazendo consigo onze pessoas, dentre as duas filhas, os pais, os quatro irmãos, uma cunhada, um sobrinho e até seu empresário.[4]

Riquelme deixou o Boca no segundo semestre 2002. Tévez triunfaria no clube a partir de então, substituindo o ídolo na regência do time. No ano seguinte, foi decisivo nas vitórias dos Xeneizes sobre o Santos de Diego e Robinho nas finais da Taça Libertadores da América. Os argentinos foram ao jogo de volta, em São Paulo, tendo vencido na ida por 2 x 0, e Tévez começou a ruir os sonhos santistas de uma reação já nos 21 minutos do primeiro tempo, marcando o primeiro gol.

Exatamente quarenta anos após perder a final do torneio para o alvinegro de Pelé na Bombonera, o Boca vingou-se derrotando a equipe brasileira por 3 x 1 no Morumbi.[8] Em 2003, no segundo semestre, Tévez faturaria ainda o título no Apertura do Campeonato Argentino de Futebol. Já no Mundial Interclubes, contra o favorito Milan, jogou pouco, entrando apenas aos 27 minutos do segundo tempo, em razão da falta de ritmo de jogo: ele, para poder atuar na partida, teve de ir à justiça comum para garantir esse direito, uma vez que estava convocado para o Campeonato Mundial de Futebol Sub-20 de 2003.[9]

Em 2004, começaram as crises. O Boca voltou à final da Libertadores, após eliminar nos pênaltis o arquirrival River Plate em pleno Monumental de Núñez, nas semifinais - Tévez fizera, aos 44 minutos do segundo tempo, o gol de empate que levaria o Boca diretamente à decisão, comemorando-o com uma imitação de galinha (uma alusão à alcunha que os torcedores rivais são pejorativamente chamados pelos boquenses) e sem camisa, o que acarretaria na sua expulsão. Os millonarios ainda conseguiram um gol nos descontos, levando às penalidades.[10] Detentor do título, o Boca chegou com favoritismo às finais contra o Once Caldas. Porém, após dois empates em 0 x 0, foi a vez do adversário se dar melhor nos pênaltis a levar, para a Colômbia, o título.

Naquele ano, Tévez passaria a ser seguido não só pela imprensa esportiva, mas também pela de celebridades: além de frequentador assíduo da vida noturna portenha, rompeu polemicamente o noivado de dois anos com sua namorada da infância, trocando-a grávida por uma famosa modelo local.[11] O estresse o levou a pedir descanso dos compromissos com o clube, fazendo com que Guillermo Barros Schelotto e também Martín Palermo, dois veteranos colegas e ídolos de Carlitos, lhe criticassem em público.[11] Chegou a viajar para Búzios com a nova namorada e só voltar na véspera de um clássico contra o River.[11]

As confusões, ao mesmo tempo que lhe afastaram brevemente da Seleção principal, onde já era uma estrela, geraram atenção de clubes europeus interessados em aproveitar sua insatisfação cada vez maior. Bayern Munique, PSV Eindhoven e Atlético de Madrid chegaram a oferecer por ele, respectivamente, 18 milhões, 13 milhões e 15 milhões de euros.[11] Tévez ainda chegou a faturar em dezembro a Copa Sul-Americana de 2004 pelo Boca, marcando na final contra o Bolívar, quando sua transferência para o exterior foi acertada. Não para a Europa, mas para o vizinho Brasil.

Contra os prognósticos do clube, Tévez foi comprado por 19,5 milhões de dólares pela Media Sports Investment, parceira da equipe do Corinthians, a quem foi cedido no que foi a maior contratação da história do futebol brasileiro.[1]

[editar] Corinthians
Foi a principal contratação da MSI, que trouxera para o clube ainda seu compatriota Sebastián "Sebá" Domínguez e o meia Carlos Alberto, destaque da equipe portuguesa do Porto que no ano anterior conquistara a Liga dos Campeões da UEFA, além do Mundial Interclubes. Posteriormente, para treinar o clube, viria ainda um novo compatriota, Daniel Passarella. A parceria também traria Roger, Nilmar, Gustavo Nery e um dos grandes amigos de Tévez, Javier Mascherano. A vida conjugal de Carlitos também voltou aos eixos, com ele retomando o relacionamento com a ex-noiva, que dera à luz a sua filha Florencia.

A identificação de Tévez com a torcida corintiana foi imediata, gerando um frenesi que chegou a ser comparado com o de ídolos como Sócrates, Neto e Marcelinho Carioca.[12] Mesmo com o time demorando a engrenar, sendo eliminado no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil, além de obter resultados ruins no Campeonato Brasileiro - Passarella caiu após uma derrota de 0 x 5 no clássico contra o São Paulo -, a mania em torno de Tévez só crescia entre os alvinegros.[12] Não demorou a roubar o lugar e o número 10 de Gil,[13] que acabaria negociado com o futebol japonês.

A disposição de Carlitos em campo, lutando pela bola sem fugir das divididas, encantava os torcedores.[12] Os mais entusiasmados não só adquiriam as camisas corintianas com o nome e número de Tévez (o caso de sete em cada dez camisas vendidas do clube[12]), mas também as da Seleção Argentina de Futebol, além de adotar o chapéu de pescador que o ídolo costumava usar fora dos gramados. Até uma chupeta alusiva à filha Florencia tornou-se item muito usado.[12]

Após tropeços nos clássicos contra São Paulo e Santos (o time de Robinho e Giovanni vencera por 4 x 2 na Vila Belmiro), o Corinthians conseguiu a liderança do Brasileirão ao final do primeiro turno. Contra o outro rival, o Palmeiras, Tévez teve seu melhor desempenho em clássicos, vencendo um dos jogos e marcando o gol de empate no outro deixando o celebrado zagueiro Carlos Gamarra no chão.[14] A vingança contra o Santos veio com um implacável 7 x 1 no Pacaembu, com ele marcando três vezes.


Com o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, notório torcedor do Corinthians.O quarto título brasileiro foi conquistado sob polêmica: no escândalo de manipulação de resultados que envolveu o árbitro Edílson Pereira de Carvalho, dois jogos do Corinthians apitados por este foram remarcados, e o clube faturou pontos que havia perdido - incluindo os da derrota de 2 x 4 para o Santos. Outro árbitro, Márcio Rezende de Freitas, também geraria controvérsias no confronto direto entre os dois clubes que disputavam o título, Corinthians x Internacional, ao não marcar visível pênalti sobre Tinga, que poderia dar a vitória aos colorados (a partida estava empatada em 1 x 1). A taça terminaria faturada com três pontos de diferença; se não houvessem as remarcações, os alvinegros ficariam um ponto atrás dos colorados, que seriam os campeões.

Alheio a tais fatores, Tévez sacramentou sua consagração. Marcou no total 20 gols, ficando em terceiro na artilharia (atrás de Romário, do Vasco da Gama, e de Róbson, do Paysandu), e por pouco não superando os 21 gols de Luizão, máximo artilheiro corintiano em uma única edição do torneio.[15] Foi eleito ainda o melhor jogador do campeonato, faturando a Bola de Ouro da Revista Placar; ele foi apenas o quarto estrangeiro a receber a premiação.

Foi instantâneo (ganhar o coração dos corintianos). Eles logo se deram conta de que vim para dar o máximo, que não pensava em me poupar. E me bancaram até a morte. (...) Eu me identifiquei muito com os corintianos. É gente humilde, sofrida, de bairros pobres. Igualzinho aos torcedores do Boca. Fico encantado que me vejam como um.[16] Se o Corinthians não me quiser, eu não jogo mais no Brasil.[4] Virei torcedor do Corinthians. Quando eu parar (de jogar), se o Corinthians enfrentar o Boca, terei de torcer por um empate.[17]

— Sobre Rsua identificação com a torcida corintiana

[editar] A conturbada saída
No entanto, Carlitos não demoraria muito no time. Por muitos fatores, sua saída do Corinthians começou a ser especulada em 2006. Um destes foi a traumática eliminação na Taça Libertadores da América: nas oitavas-de-final o clube enfrentou o River Plate. Tévez e Corinthians tinham motivações extras contra o adversário: para Carlitos, era o rival de seu amado Boca Juniors; para os alvinegros, era a chance da revanche contra a equipe que os eliminou em casa no torneio de 2003, decretando uma crise que só passaria justamente em 2005.

Porém, uma nova eliminação gerou grande revolta ainda dentro do estádio do Pacaembu, depredado por segmentos mais exaltados da torcida, que queriam invadir o campo. Tévez se assustou, inclusive porque sua filha Florencia estava no estádio.[18] Quando foi à Argentina se apresentar à seleção para ir à Copa do Mundo de 2006, levou todos os seus objetos pessoais para sua casa em Buenos Aires.[18] O iraniano Kia Joorabchian, representante da MSI, teria começado a oferecê-lo para clubes como Milan e Manchester United.[18]

A experiência de atuar na Europa durante a Copa, realizada na Alemanha, também alimentou os boatos de que Tévez iria embora. Quando voltou, o técnico Emerson Leão resolveu tirar-lhe a braçadeira de capitão, com a justificativa de que não entendia o que ele falava.[18] Leão também fazia declarações xenófobas contra os argentinos.[19] A gota d'água para a saída veio quando o argentino comprou briga contra a torcida que tanto o idolatrava após comemorar um gol contra o Fortaleza pedindo silêncio, revoltado com as vaias dirigidas a seus companheiros. A situação ficou insustentável para ele, que encontrou desavenças também com a diretoria.[20] Joorabchian, então, negociou-o, juntamente com o amigo e colega Mascherano, para a pequena equipe inglesa do West Ham United, no último dia do fechamento do mercado europeu para o ínicio da temporada 2006/07.

A briga com a Fiel e a breve passagem pelo Corinthians, porém, não o impediu de ser lembrado por alguns ilustres torcedores meses mais tarde. Em dezembro de 2006, a Placar publicou uma edição especial que elegia os melhores times hipotéticos dos doze maiores clubes brasileiros, baseado nas indicações mais votadas de famosos torcedores de cada um. Tévez foi o quarto atacante mais votado no Corinthians, escolhido por Washington Olivetto, Silvio Lancellotti e José Geraldo Couto.[21] Posteriormente, a mesma revista o colocou como o 23º maior jogador dos cem anos do clube, em edição especial que celebrou o centenário corintiano. Tévez ficou à frente de ídolos consagrados do passado recente alvinegro, como Viola, Gamarra, Vampeta, Ricardinho, Luizão e Edílson, dentre outros.[22]


No West Ham United, em um dérbi londrino contra o Arsenal.[editar] West Ham United
A chegada de Tévez e Mascherano ao West Ham representavam também uma estratégia de Kia Joorabchian para posteriormente comprar o clube.[23] Criou-se um natural clima de otimismo, inclusive porque a equipe, na temporada anterior à chegada dos reforços de peso, havia ficado em um satisfatório nono lugar na Premier League e com o vice-campeonato na FA Cup, após perder apenas nos pênaltis a decisão para o Liverpool.

Os prognósticos promissores para o clube de Londres, com a contratação dos dois argentinos, porém, não se confirmou. A equipe foi realizando campanha sofrível e Tévez não escapou da má fase. Após dezenove partidas sem marcar, caído entre os reservas,[24] só faria seu primeiro gol em março, já no final da temporada, e ainda assim em uma derrota para o Tottenham Hotspur. Já estava sem o amigo Mascherano, que fora para o Liverpool. A derrota, em casa, a dez rodadas do fim, era um sinal de que a equipe já estaria rebaixada,[25] na opinião de muitos: estava dez pontos atrás do último colocado fora da zona de rebaixamento, o Manchester City.[25]

Mas justamente no final daquela edição da Premier League, nas nove rodadas seguintes, ele conseguiu demonstrar seu melhor futebol no West Ham.[24] Marcou outros seis gols, vitais.[20] O último deles, na última rodada, foi o único na vitória por 1 x 0 sobre o Manchester United em pleno Old Trafford, que salvou os Hammers do rebaixamento.[20] Foi carregado pelos colegas ao fim da partida.[6] A imprensa britânica foi unânime em elegê-lo o salvador do clube,[6] cujos últimos quinze jogos na temporada foram transmitidos ao vivo na Argentina por causa do sucesso de Tévez.[6] A permanência heróica dos Irons estampou a capa dos jornais argentinos.[6]

E o último adversário, o Manchester United, também reconheceu o grande crescimento de produção de Carlitos, que de vexame virara herói,[26] e o adquiriu por empréstimo por duas temporadas.

Quando cheguei à Inglaterra, tive que aprender a desfazer-me rápido da bola. Fisicamente sou forte e veloz, mas tive de entender que se não soltava a bola em seguida, a perdia. Ou seja, minha cabeça teve que se fazer forte e veloz como minhas pernas. Aí comecei a ir bem no West Ham. E minha temporada ali me fez crescer muito, porque nunca havia disputado um descenso e isso te fortalece muito, desde a cabeça.[3]

— Sobre a temporada no West Ham

[editar] Manchester United

Não foi ídolo máximo no Manchester United, mas não deixou de ser celebrado pela torcida.Fez sua estreia pelos Red Devils no empate em 1 a 1 contra Portsmouth, em 15 de agosto, começando no lugar do lesionado Wayne Rooney. Em 23 de setembro, marcou seu primeiro gol, com um mergulho de cabeça, na vitória por 2 a 0 do Manchester United contra o Chelsea em Old Trafford. Em novembro, Alex Ferguson declarou que o clube pretendia adquirir em definitivo o argentino.

Tévez marcou um total de cinco gols durante a Liga dos Campeões 2007-08, na campanha bem sucedida do Manchester United, campeão em uma final inglesa contra o Chelsea. No total, marcou dezenove vezes em sua primeira temporada, formando letal trio ofensivo com Rooney e Cristiano Ronaldo.[20] Foi ainda campeão inglês e do Mundial Interclubes.

Se na primeira temporada conseguiu sucesso no United não-alcançado pelos compatriotas que estiveram anteriormente a ele no clube - Juan Sebastián Verón e Gabriel Heinze -, na segunda Tévez acabou relegado pelo técnico Ferguson em favor do reforço búlgaro Dimitar Berbatov.[27] A derrota para o Barcelona na final da Liga dos Campeões de 2008/09 acabou sendo sua última partida pela equipe. Embora o argentino fosse mais querido pelos fãs do que o búlgaro,[28] que marcara menos na temporada e,[28] acima de tudo, quisesse ficar,[28] Ferguson já não demonstrou o mesmo interesse para que o clube comprasse-o ou renovasse o empréstimo.

Apesar dos cantos da torcida aos dirigentes pedindo pela permanência do Argentinian, como ela o chamava carinhosamente,[3] a falta de um acordo confirmou-se e Tévez deixou o United,[29] mas não Manchester. Semanas depois era anunciado oficialmente como reforço do Manchester City. Dias antes do acerto, quando a transferência para o rival ainda estava nas especulações, frisou à imprensa de que não se considerava um traidor caso sua ida ao City se confirmasse:

Eles (os torcedores) não sentirão que os traí. Eles têm de lembrar que, até onde eu sei, fui dispensado pelo United. Assim, tenho de estudar as melhores ofertas à disposição. (...) Depois daquele jogo (uma derrota em casa para o arquirrival Liverpool), o Alex Ferguson me ignorou quase como se eu fosse o culpado pela derrota. O Liverpool nos dominou completamente. Os torcedores começaram a pedir para eu entrar, mas o Ferguson nunca ouvia conselhos de outros porque sempre está certo. Eu dei tudo pelo time e a torcida sabe disso. Não merecia terminar minha passagem desse jeito.[30]

— Sobre sua troca do Manchester United para o Manchester City

[editar] Manchester City

Tévez no Manchester City.Os Citizens desembolsaram 25,5 milhões de libras (30 milhões de euros) por Carlitos - cerca de 70 milhões de reais, mais um salário de 100 mil libras por semana por um contrato de cinco anos - 328 mil reais a cada sete dias.[31] Tévez repetiu o caminho que outros ídolos do United, por motivos diversos, fizeram ao ir para o outro time mancuniano. Diferentemente de Denis Law, Andriy Kančelskis, Peter Schmeichel e Andy Cole, ele não fez a troca às vésperas de sua aposentadoria, chegando aos Sky Blues com 25 anos.

Valorizado no City, continuou a demonstrar o futebol guerreiro que o caracterizava, a ponto de ofuscar até a maior celebridade do elenco, Robinho, contra quem tanto jogara por Boca Juniors, Corinthians e Seleção Argentina. Uma das maiores críticas da imprensa e torcida contra o brasileiro é a de que ele, o mais caro jogador do futebol inglês, sumia em campo, enquanto Tévez, com um salário melhor, tinha mais gana.[32]

Em meio à temporada, destacou-se individualmente nos dérbis contra o Manchester United, embora sua equipe não tenha tido sucesso. No primeiro, em Old Trafford, pela Premier League, marcou o gol de empate parcial em 1 x 1 e chegou a cabecear uma bola na trave.[33] A partida terminaria com a vitória dos Red Devils por 4 x 3 nos acrécimos da partida. Posteriormente, os dois rivais encontraram-se nas semifinais da Copa da Liga Inglesa.

O incentivo especial de Tévez chamou a atenção de seu ex-clube, que normalmente desprezava esta competição. O argentino marcou três gols nos confrontos da Copa da Liga: dois na partida de ida, no City of Manchester Stadium, na vitória azul por 2 x 1, não se furtando em provocar os torcedores adversários nas comemorações.[34] Na volta, em Old Trafford, o City acabou eliminado de forma dramática: perdia por 0 x 2 quando, a dez minutos do fim, o argentino marcou, o que levaria a decisão por um lugar na final para a prorrogação, mas no último minuto seu ex-clube marcou o terceiro.[34] O City perderia com gol no final novamente, em casa, no returno da Premier League, sendo derrotado por 0 x 1.[35]

A dedicação de Tévez e seus 22 gols em 30 jogos pelo City, até o final de abril de 2010 (tendo superado em menos tempo o número de gols que marcara em dois anos pelo United), foi reconhecida pela Associação de Jogadores Profissionais da Inglaterra, recebendo prestigiado prêmio local da categoria como o melhor jogador do futebol inglês, ao lado de Wayne Rooney, Cesc Fàbregas e Didier Drogba.[36] O City terminou o campeonato na quinta colocação, a melhor em muito tempo, mas com uma frustração: o clube esteve perto de se classificar para a Liga dos Campeões da UEFA, que não disputava desde a temporada 1968/69. A vaga, no entanto, acabou perdida na penúltima rodada, em casa, no confronto direto contra o Tottenham Hotspur.

A perda da vaga representou uma grande frustração para Tévez, que esperava passar apenas uma temporada sem disputar a Liga dos Campeões, influenciando no desejo do argentino em sair do clube.[37] Em meio à boa temporada dos azuis na Premier League, em que a equipe esteve no topo da tabela, o atacante estourou uma crise ao anunciar o rompimento de sua relação com o City, não-confirmado pelo clube.[38] O argentino frisou que não se tratava de um alegado mal relacionamento com o técnico Roberto Mancini,[38] e sim da saudade que sentia das filhas, que regressaram à Argentina com a mãe, após Carlitos se divorciar dela.[39]

[editar] Seleção Argentina
Seu primeiro contato com a Seleção foi ainda na categoria sub-15.[1] Nela começou a amizade com Javier Mascherano.[1] Tévez jogou com ele e também com Maxi López um torneio em Wembley, chegando a marcar de bicicleta contra a França.[1]

Venceu o Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20 em 2003. No ano seguinte venceu também o Torneio Pré-Olímpico, com vitória sobre o Brasil. Já com a equipe principal, foi à Copa América de 2004 como reserva. Ficou marcado por suas firulas com a bola no final da partida terem sido em vão: ele e Andrés d'Alessandro procuraram ganhar tempo, com a vitória parcial dos argentinos por 2 x 1, mas Adriano conseguiu empatar nos descontos. Os rivais levariam o título nos pênaltis.

No mês seguinte, nas Olimpíadas de 2004, Tévez foi o grande nome. A Argentina, embalada pela artilharia de Carlitos, conseguiu um inédito ouro. Firmando-se na seleção principal, esteve também na Copa das Confederações de 2005, perdida em outra final contra o Brasil. No ano seguinte, foi convocado para a Copa do Mundo FIFA de 2006. Tévez era um dos componentes do "quadrado mágico argentino" pedido pela torcida, ao lado de Hernán Crespo, Juan Román Riquelme e Lionel Messi.[40] Apesar do apelo popular, foi utilizado como reserva pelo técnico José Pekerman, o que não diminuía seu entusiasmo, acompanhado por dezessete familiares que podia ver todos os dias.[41]

Depois de ficar de fora da primeira partida, contra a Costa do Marfim,[42] Tévez fez sua estreia em Copas no segundo jogo, e em grande estilo: entrou no decorrer da partida contra a Sérvia e Montenegro e marcou um dos gols mais bonitos do torneio,[43] o quinto dos argentinos (que venceriam por 6 x 0): recebeu a bola, livrou-se de dois zagueiros [43] - um deles vendo a bola passar entre as próprias pernas [44] -, invadiu a área e bateu cruzado.[43]


Tévez na Copa do Mundo de 2010.A boa campanha da Albiceleste acabou nas quartas-de-final, nos pênaltis, frente à anfitriã Alemanha. Tévez escapou das críticas, sendo visto como um injustiçado por ter passado mais tempo no banco do que em campo.[45] Foi o jogador cuja imagem melhor ficou em seu país após o torneio, especialmente após o redentor final de temporada que se seguiu, quando salvou o West Ham United do rebaixamento.[6] A imprensa e a torcida o consideraram cada vez mais o jogador do povo.[6] Sua vontade em participar da Copa América de 2007, mesmo deixando-lhe com apenas uma semana de férias,[6] aumentou ainda mais a idolatria nacional em torno dele. A Argentina, até a final, realizou a melhor campanha do torneio, mas perdeu novamente para o Brasil na decisão.

Tévez foi para a sua segunda Copa no mundial de 2010, como um dos atacantes titulares de Diego Maradona, com boas atuações, especialmente nas oitavas-de-final, a única partida em que marcou: o fez duas vezes, contra o México. No primeiro, lutou pela bola contra o goleiro, e ela acabou sendo espirrada para Lionel Messi chutar para as redes. Antes que ela entrasse, Tévez, em impedimento, cabeceou-a, abrindo o placar. O seu segundo gol foi o terceiro da partida, brigando contra dois mexicanos pela bola e arrematando-a com um forte chute de longa distância. O encanto, porém, durou novamente apenas até as quartas-de-final, quando outra vez a Argentina foi eliminada pela Alemanha, agora com um vexatório 0 x 4.

lionel messi



Começo, na Argentina
Filho de Jorge Messi e Celia Cuccittini,[4] desde criança demonstrava grande apego à bola, a ponto de negar-se a ir às compras com a família quando não lhe deixavam levar alguma bola.[4] Daria seus primeiros passos nas categorias mais pequenas do Abanderado Grandoli, um pequeno clube onde os outros membros da família já haviam jogado [4] - o endereço era a quinze quadras da casa dos Messi.[4] Entrou para a equipe após ser chamado pelo velho treinador para completar o time para uma partida. Tinha apenas quatro anos.[4]

Posteriormente, seu pai, Jorge, seria seu treinador na categoria baby do Grandoli.[4] Lionel conseguia se sobressair com garotos de até sete anos.[4] No entanto, o garoto não duraria muito tempo na equipe: os pais o tiraram do clube após não lhes deixarem acompanhar um jogo do filho por falta de dinheiro para pagar os ingressos.[4] Quando completou sete anos, ingressou então nas divisões menores do clube do coração, o Newell's Old Boys.[4] Ainda assim, não se contentava em jogar na Lepra, jogando regularmente futebol na rua da casa ao lado dos irmãos mais velhos Matías e Rodrigo Messi e dos primos maternos Emanuel e Maxi Biancucchiref name = "elgrafico"/> Lionel àquela altura conseguia jogar contra adversários de dezoito anos.[4]

Porém, com onze anos detectou-se um problema hormonal que retardava o desenvolvimento ósseo de Messi e, consequentemente, seu crescimento.[5][4] Por um ano e meio, o tratamento de 900 dólares mensais,[4] que consistia em injeções alternadas em cada perna toda noite, foi custeado pela fundação onde seu pai trabalhava, até que a fonte secou.[4] Como o Newell's não quis custear a continuação do tratamento, o pai ofereceu o filho ao River Plate.[4][5] O interesse do clube da capital fez com que o Newell's voltasse atrás, mas de forma insuficiente, oferecendo duzentos pesos ao mês.[4]

[editar] Barcelona
O pai, então, resolveu apostar a sorte no exterior, também para poupar a família dos efeitos da crise econômica que ocorria na Argentina.[4] Uma prima da mãe de Jorge Messi vivia em Lérida, na Catalunha, e acolheu os Messi. Lionel passou a ser observado por um olheiro do Barcelona,[4] que o recomendou para testes no clube. Com treze anos e 1,40 de altura, conseguiu se sair bem contra garotos dois anos mais velhos. Recebeu o apoio de Josep María Minguella, o mesmo homem que trouxera Diego Maradona ao Barça, mas o presidente Joan Gaspart e o diretor desportivo Carles Rexach hesitavam em adquirir o jovem, uma vez que teria de custear as despesas não só do tratamento, mas também da mudança familiar.[4]

O Barcelona só se convenceu após Rexach observar Messi, que estava no Infantil B, jogar pelo Infantil A contra uma equipe de jogadores bem mais velhos. Além de pagar pelo tratamento e pela mudança da família de Messi, o Barcelona também contrataria Jorge para ser informante.[4]

Eu o contratei em 30 segundos! Ele me chamou muita atenção. Em meus 40 anos de futebol, jamais havia visto coisa semelhante. De cinco situações de gol, converteu quatro. E tem uma habilidade excepcional. Me lembrou o melhor Maradona. Seu primeiro contrato eu assinei, simbolicamente, em um guardanapo. Queria contratá-lo o quanto antes. Não podia deixá-lo escapar.[5]

— Carles Rexach, sobre Messi

Ainda assim, o começo foi difícil. Um tratamento mais intensivo (e caro) precisou ser feito.[4] O Newell's negou-se a enviar a documentação necessária para o Barcelona, precisando-se de intervenção da FIFA em favor da permanência do garoto de 14 anos no clube catalão, uma vez que um jovem de sua idade necessitava estar ao lado do pai, oficialmente informante do Barcelona.[4] Com a família radicada na Espanha, cresceu 30 centímetros em trinta meses.[4]

No novo país, seria "rebatizado" de Leonel Messi, daí surgindo o apelido Leo.[4] Na temporada juvenil de 2002/03, marcou 37 vezes em 30 partidas e passou a ser conhecido pelos jogadores da equipe principal, criando boa relação com os brasileiros Fábio Rochemback, Thiago Motta e, principalmente, Ronaldinho Gaúcho, que lhe apresentaria como "seu irmão mais novo",[4] e com seus compatriotas Juan Román Riquelme e Javier Saviola.[4] Ainda sem ter estreado entre os profissionais, já era disputado pelas seleções juniores de Argentina e Espanha.[4] Arsène Wenger, técnico do Arsenal, conhecido por garimpar jovens e desconhecidos jogadores, chegou a convidá-lo para jogar na equipe inglesa, que na mesma época tirara Cesc Fàbregas das mesmas categorias do Barcelona,[4] que imediatamente prorrogou o contrato de Messi até 2012.[4]

[editar] Início como profissional
Messi foi integrado ao time principal na temporada 2003-2004, com apenas dezesseis anos, debutando em um amistoso contra o Porto, na inauguração do Estádio do Dragão. O primeiro jogo oficial foi em um clássico contra o Espanyol.[4] Tornou-se na época o mais jovem jogador do time em partidas oficiais, tanto pelo futebol espanhol quanto pela Liga dos Campeões da UEFA [4] - marcas que posteriormente seriam batidas por Bojan Krkić. O primeiro gol veio contra o Albacete, na temporada 2004-2005.[4]

Até aquela temporada, Messi era desconhecido do público argentino,[4] mesmo já descoberto pela mídia de seu país natal: um jornalista da revista El Gráfico, que preparava uma reportagem sobre talentos precoces da América do Sul levados pelos europeus, impressionou-se com depoimentos sobre Messi, o que o levou a entrar em contato com Rexach.[5] Após descrença por parte da revista, cansada de "novos Maradonas" que não vingavam, o repórter conseguiu que o pai de Messi enviasse vídeos do filho, que finalmente convenceram a redação, logo publicando uma nota sobre o jovem,[5] ainda em 2003, onde Rexach previa que em dois anos o garoto já seria uma superestrela mundial.[4]

Depois de artilheiro, melhor jogador e campeão do Campeonato Mundial de Futebol Sub-20 de 2005, ganhou mais espaço no Barcelona, que renovaria mais uma vez seu contrato, até 2014. Na temporada 2005-06, conseguiu lugar cativo entre os titulares da campanha que resultaria no bicampeonato espanhol e na segunda Liga dos Campeões do clube. Todavia, não pôde atuar na decisão continental em virtude de uma lesão nas quartas-de-final, contra o Chelsea, após levar uma pancada de Asier del Horno.[4] Em Junho de 2005 renovou seu contrato com o Barça até o ano de 2014. Antes uma estrela coadjuvante de seu ídolo Ronaldinho Gaúcho, foi aos poucos tomando o lugar deste, conforme decaía, após um longo período em que o brasileiro foi considerado o melhor jogador do mundo pela FIFA.

[editar] O auge e os prêmios

Messi contra Michael Carrick na final da Liga dos Campeões de 2008-09.Na temporada 2008-09, assumiu definitivamente o posto de principal astro dos blaugranas, ao conduzir o time a uma inédita "Tríplice Coroa" (Copa do Rei, La Liga e Liga dos Campeões). Com vários gols e lances geniais, alcançou inclusive a artilharia da Champions League com nove gols marcados, um deles na grande final, vencida por 2-0 contra o Manchester United, em partida considerada por muitos um "tira-teima", já que pôs frente à frente os dois principais jogadores do mundo no momento: Messi e Cristiano Ronaldo.

Em 30 de novembro de 2009 venceu o prêmio Ballon d'Or, entregue pela revista francesa France Football ao melhor jogador da última temporada. Em 19 de dezembro de 2009 o Barcelona foi campeão do Mundial de Clubes da FIFA. Na grande final contra o Estudiantes, da Argentina, o Barcelona ganhou na prorrogação com o gol de peito de Messi aos cinco minutos do segundo tempo, e o jogo terminou com a vitória do Barça por 2-1, dando pela primeira vez o título mundial de clubes à equipe catalã.[6] Após a partida, Messi foi eleito o craque do torneio.[7].

No dia 21 de dezembro de 2009 Messi foi eleito o Melhor jogador do mundo pela FIFA, à frente do português Cristiano Ronaldo, do brasileiro Kaká e dos espanhóis Xavi e Iniesta.[8]

Já em 2010, no dia 16 de janeiro, marcou seu 100º gol pelo Barcelona, aos 85 minutos de jogo, na vitória por 4-0 sobre o Sevilla. Ainda nesta mesma partida, logo em seguida, marcou o de número 101, fechando a goleada.

[editar] Seleção Argentina
Em 2005, após a primeira matéria sobre Messi na El Gráfico, foi imediatamente convocado para a seleção argentina Sub-20, para acabar de vez com as intenções da Espanha de naturalizá-lo.[5] No Campeonato Mundial de Futebol Sub-20 de 2005 não só foi campeão como também se tornou artilheiro com seis gols, e foi eleito o melhor jogador do torneio. Além disso, conquistou uma vitória sobre o Brasil nas semifinais.


Messi na Copa América 2007.Foi convocado por José Pekerman para a disputa da Copa do Mundo FIFA de 2006, realizada na Alemanha. Com 18 anos e 357 dias de idade, tornou-se o quinto jogador mais jovem a marcar um gol numa Copa do Mundo, ao marcar o último da goleada por 6-0 sobre a Sérvia e Montenegro. Entretanto, passaria a maior parte da competição no banco.

No ano seguinte, liderou a Argentina em sua campanha até a final da Copa América de 2007. O país, mesmo favorito, perderia a final para o Brasil, seu maior rival, por 3-0. Contra os brasileiros, já havia sofrido derrota pelo mesmo placar num amistoso em 2006, após a Copa de 2006. Conseguiu ter sua vingança nas Olimpíadas de 2008, em que os albicelestes venceram também por 3-0 nas semifinais, e terminaram o torneio com a medalha de ouro.

Outro momento memorável contra os rivais deu-se no mesmo ano, nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2010, sendo aplaudido pela torcida brasileira no 0-0 entre as duas seleções, em jogo realizado no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.


Messi durante a jogada do gol contra o Getafe, muito semelhante ao de MaradonaEntretanto, na mesma temporada em que se consagraria no Barcelona com a "tríplice coroa", passou a ter atuações aquém do esperado na seleção, sendo bastante criticado pela mídia argentina.

Leo foi convocado para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. O craque argentino não marcou nenhum gol, mas mandou na trave e concorreu ao prêmio de "melhor jogador", que foi entregue a Diego Forlán do Uruguai.

[editar] Comparações com Maradona
Tem sido cada vez mais frequentes as comparações ao que é considerado a maior lenda do futebol argentino, não só pela forma explosiva de jogar, mas também pelos gols parecidos com os de Maradona que tem marcado ao serviço do Barça.

Um deles, contra o Getafe, lembrou o gol mais famoso do Pibe, contra a Inglaterra, na Copa do Mundo FIFA de 1986, driblando vários adversários em aceleração, inclusive o goleiro, e finalizando com um toque sutil para o fundo das redes. Messi também faria o seu gol de mão contra o Espanyol, da mesma forma que Maradona fizera também contra os ingleses.

Assim como Maradona, Messi também tem baixa estatura e é canhoto, além de ambos terem passado pelo Newell's Old Boys e pelo Barcelona ao longo de suas carreiras.

Nativos americanos e colonos europeus





Nativos americanos e colonos europeus

Acredita-se que os povos indígenas dos Estados Unidos continentais, incluindo os nativos do Alasca, migraram da Ásia. Eles começaram a chegar, pelo menos, entre 12.000 e 40.000 anos atrás.[12] Alguns, como a cultura mississippiana pré-colombiana, desenvolveram agricultura avançada, arquitetura grandiosa e as sociedades estaduais. Mais tarde os europeus começaram a colonização das Américas, muitos milhões de indígenas americanos morreram de epidemias de doenças importadas, como a varíola.[13]


O Mayflower transportou os peregrinos para o Novo Mundo, em 1620.Em 1492, o explorador genovês Cristóvão Colombo, sob contrato com a coroa espanhola, chegou a várias ilhas do Caribe, fazendo o primeiro contato com os povos indígenas. Em 2 de abril de 1513, o conquistador espanhol Juan Ponce de León desembarcou em o que ele chamou de "La Florida"—a primeira chegada europeia documentada no que viria a ser os Estados Unidos Continentais. As colônias espanholas na região foram seguidas por aquelas no atual sudoeste dos Estados Unidos, que atraíram milhares através do México. Os comerciantes de peles franceses estabeleceram postos da Nova França em torno dos Grandes Lagos; a França finalmente reivindicou a maior parte do interior da América do Norte, até o Golfo do México. O primeiro assentamento inglês bem sucedido foi a Colônia da Virgínia em Jamestown, em 1607, e a Colônia de Plymouth, dos Peregrinos, em 1620. O fretamento de 1628 da Colônia da Baía de Massachusetts resultou em uma onda de migração; por volta de 1634, a Nova Inglaterra tinha sido povoada por cerca de 10.000 puritanos. Entre o final dos anos 1610 e a Revolução Americana, cerca de 50.000 prisioneiros foram enviados para as colônias americanas da Grã-Bretanha.[14] A partir de 1614, os holandeses se estabeleceram ao longo do rio Hudson, incluindo o povoamento de Nova Amsterdã na ilha de Manhattan.

Em 1674, os holandeses cederam seu território norte-americano para a Inglaterra; a província de Nova Holanda foi renomeada para Nova York. Muitos dos novos imigrantes, especialmente do Sul, foram contratados como trabalhadores temporários — cerca de dois terços de todos os imigrantes da Virgínia entre 1630 e 1680.[15] Na virada do século, os escravos africanos foram se tornando a principal fonte de trabalho forçado. Com a divisão das Carolinas em 1729 e a colonização da Geórgia em 1732, as treze colônias britânicas, que se tornariam os Estados Unidos da América, foram estabelecidas. Todas tinham governos locais com eleições abertas para a maioria dos homens livres, com uma devoção crescente aos direitos antigos dos ingleses e um senso de autogoverno estimulando o apoio ao republicanismo. Todas também legalizaram o comércio de escravos africanos. Com altas taxas de natalidade, taxas de mortalidade baixas e imigração constante, a população colonial cresceu rapidamente. O movimento cristão revivalista das décadas de 1730 e 1740, conhecido como o Grande Despertar, abasteceu o interesse em religião e liberdade religiosa. Durante a Guerra Franco-Indígena, as forças britânicas tomaram o Canadá dos franceses, mas a população francófona permaneceu isolada politicamente das colônias do sul. Excluindo-se os nativos americanos (popularmente conhecidos como "Índios Americanos"), que estavam sendo deslocados, as treze colônias tinham uma população de 2,6 milhões de habitantes em 1770, cerca de um terço da Grã-Bretanha; cerca de um em cada cinco norte-americanos eram escravos negros.[16] Embora sujeitos às tributações britânicas, os colonos americanos não tinham representação no Parlamento da Grã-Bretanha.

Jimi Hendrix




Nascido em Seattle, Washington, Hendrix cresceu tímido e sensível, tendo de ser o responsável por cuidar de seu irmão mais novo, Leon Hendrix, profundamente afetado por problemas familiares, tais como o divórcio dos seus pais em 1951 e a morte de sua mãe em 1958, quando ele tinha apenas 16 anos. Era muito afeiçoado à sua avó materna, que possuía sangue cherokee, e que incutiu no jovem Jimi um forte sentido de orgulho de seus ancestrais nativos norte-americanos. No mesmo ano, o seu pai, chamado Al Hendrix, deu-lhe um ukelele (instrumento de 4 cordas, introduzido no Havaí pelos portugueses no século XVII), e posteriormente comprou, por apenas US$ 5 dólares, uma guitarra acústica, pondo-o no caminho da sua futura vocação.

Depois de tocar com várias bandas locais de Seattle, Hendrix alistou-se ao exército, juntando-se à 101-a Divisão Aerotransportada (101st Airborne Division) baseada em Fort Campbell, Kentucky, a 80 km da cidade de Nashville, no Tennessee, como pára-quedista. Ali ele serviu por menos de 1 ano e recebeu dispensa médica após fraturar o tornozelo em um salto. Mais tarde ele diria que o som do ar assobiando no pára-quedas era uma das fontes de inspiração para o seu som "espacial" na guitarra.

Não há nenhum registo médico no exército americano sobre a dispensa de Hendrix. Em 2005, Charles Cross, que foi autor da biografia do líder do Nirvana, Kurt Cobain, publicou no seu livro "Room Full of Mirrors", que o guitarrista alegou estar apaixonado por um dos seus colegas do seu agrupamento, numa visita ao serviço psiquiátrico em 1962, em Fort Campbell (Estado do Kentucky). Aquilo era mentira, segundo Cross, que relata a preferência do músico por mulheres. "Ele queria apenas escapar do exército para se dedicar à música."

Hendrix, que se alistou como voluntário para a guerra do Vietnã, nunca esteve em combate, porém as suas gravações tornaram-se as favoritas entre os soldados que lá lutavam. Inicialmente levou uma vida precária tocando em bandas de apoio a músicos de soul e blues como Curtis Knight, B. B. King, e Little Richard em 1965. Sua primeira aparição destacada foi com os Isley Brothers, principalmente no "Testify" em 1964.

Carreira
[editar] 1965-1966
Em 14 de outubro de 1965, Hendrix assinou um contrato de gravação por três anos com o empresário Ed Chaplin, recebendo US$1 e 1% de direitos em gravações com Curtis Knight. Este contrato causou mais tarde sérios problemas entre Hendrix e outras companhias de gravação[carece de fontes?].

Por volta de 1966, ele já tinha sua própria banda, Jimmy James and the Blue Flames (que incluia Randy Califórnia, mais tarde guitarrista do Spirit) e uma residência no Cafe Wha?, localizado na cidade de Nova Iorque. Foi durante este período que Hendrix conheceu e trabalhou com a cantora e guitarrista Ellen McIlwaine e também com o guitarrista Jeff "Skunk" Baxter (mais tarde integrante dos grupos Steely Dan e The Doobie Brothers) assim como o iconoclasta Frank Zappa, cuja banda The Mothers of Invention tocava no Garrick Theatre, no Greenwich Village novaiorquino. Foi Zappa que apresentou Hendrix ao recém-criado pedal de "wah-wah", um pedal de efeito sonoro do qual Hendrix rapidamente se tornou mestre notável e que se transformou em parte integrante de sua música.


Casa de Jimi Hendrix em Londres (esquerda). À direita, a casa do compositor clássico Georg Friedrich Händel.Foi enquanto tocava com o "The Blue Flames" no Cafe Wha? que Hendrix foi descoberto por Chas Chandler, baixista do famoso grupo de rock britânico The Animals. Chandler levou-o para a Inglaterra, levou-o a um contrato de agenciamento e produção com seu produtor musical e ajudou-o a formar uma nova banda, The Jimi Hendrix Experience, com o baixista Noel Redding e o percussionista Mitch Mitchell.

Durante as suas primeiras apresentações em clubes de Londres, o nome da nova estrela espalhou-se como fogo pela indústria musical britânica. Os seus shows e musicalidade criaram fãs rapidamente, entre eles os guitarristas Eric Clapton e Jeff Beck, assim como os Beatles e o The Who, cujos produtores imediatamente encaminharam Hendrix para o selo que produzia o The Who: a Track Records. O primeiro "single" desta parceria, uma regravação de "Hey Joe", se tornou quase que um padrão para as bandas de rock da época.

Mais sucesso veio em seguida, com a incendiária "Purple Haze" e a balada "The Wind Cries Mary". Estas duas e ainda "Hey Joe" chegaram na época ao chamado "Top 10". Agora, finalmente estabelecido no Reino Unido como importante estrela de rock, Hendrix e sua namorada Kathy Etchingham mudaram-se para uma casa no centro de Londres, que um dia pertencera ao compositor barroco Georg Friedrich Händel (antigo compositor clássico).

[editar] 1967
Em 1967, o grupo, formado por Hendrix na guitarra e vocal, Noel Redding no baixo,eventualmente guitarra e vocais base, e Mitch Mitchell, na bateria, percussão e backing vocals lança seu primeiro álbum, Are You Experienced?, cuja mistura de baladas ("Remember"), pop-rock ("Fire"), psicodelia ("Third Stone from the Sun"), e blues tradicional ("Red House") seria uma espécie de amostra de seu trabalho posterior. O álbum fez muito sucesso, que só não alcançou o número 1 porque foi barrado pelo Sgt Peppers Lonely Heart Club Band dos The Beatles. O álbum é considerado por muitos o melhor debut álbum de todos os tempos, e foi eleito o quinto álbum mais importante da era do rock pela VH1 em 2001, além de estar em décimo quinto lugar na lista da revista Rolling Stones na categoria 500 Greatest Albums Of All Time (tradução livre: Os 500 melhores álbuns de todos os tempos). Outra edição da revista, publicada anos anteriormente em 1987, consagrou o álbum sendo o quinto na categoria Melhores Álbuns dos últimos 20 anos. O álbum está também incluso no livro 1001 Álbuns para você ouvir antes de morrer.

Hendrix foi levado para o hospital com queimaduras depois de pôr fogo em sua guitarra pela primeira vez no Astoria Theatre, em Londres, em 31 de março daquele ano. Ele foi posteriormente advertido pelo administrador do Rank Theatre management para controlar suas exibições no palco depois de danificar os amplificadores e outros equipamentos no palco.

Com o forte apelo de Paul McCartney, integrante do "Festival Pop de Monterey" (Monterey Pop Festival), o Jimi Hendrix Experience foi agendado para apresentar-se naquele festival, e o concerto, onde ficou notória a imagem de Hendrix pondo fogo e quebrando sua guitarra, foi imortalizado pelo cineasta D.A. Pennebaker no filme Monterey Pop. O festival de Monterey foi um triunfante retorno. E foi seguido de uma abortada apresentação de abertura para o grupo pop The Monkees, em sua primeira turnê americana.

Os Monkees pediram a presença de Hendrix simplesmente por serem seus fãs. Infelizmente, porém, a sua platéia predominantemente adolescente não se interessou pelas bizarras apresentações de Hendrix no palco, e ele abruptamente interrompeu a digressão depois de algum tempo, exatamente quando "Purple Haze" começava a estourar nas paradas norte-americanas. Chas Chandler mais tarde admitiu que ter "caído fora" da turnê dos Monkees foi planejado para ganhar o máximo de impacto de mídia e de afronta para Hendrix. Na época, circulou uma história afirmando que Hendrix tinha sido retirado da digressão devido a reclamações de que sua conduta no palco era "lasciva e indecente", reclamações estas que teriam sido feitas pela organização conservadora de mulheres Daughters of the American Revolution. De fato, a história era falsa: a coisa foi forjada pela jornalista australiana Lillian Roxon, a qual acompanhava a turnê junto com o namorado e cantor Lynne Randell, outro coadjuvante. A afirmação foi zombeteiramente repetida na famosa Rock Encyclopedia de Roxton em 1969, porém mais tarde ela admitiu que a coisa foi fabricada.

Enquanto isso, de volta à Inglaterra, sua imagem de "selvagem" e de cheio de recursos para chamar atenção (tal como tocar a guitarra com os dentes e com ela às costas) continuava a trazer-lhe notoriedade, apesar de ele ter começado a se sentir mais e mais frustrado, devido à concentração da mídia e das platéias em suas atuações no palco e em seus primeiros sucessos, e pela crescente dificuldade em ter suas músicas novas também aceitas.

No mesmo ano, o grupo lança seu segundo álbum, Axis: Bold as Love, que continuou o estilo estabelecido por Are You Experienced, com faixas como Little Wing e If 6 Was 9, mostrando a continuidade de sua habilidade com a guitarra. No entanto, um percalço quase impediu o lançamento do álbum — Hendrix perdeu a fita com a gravação master do lado 1 do LP depois de acidentalmente tê-la esquecido num táxi. Com a proximidade do prazo fatal de lançamento, Hendrix, Chandler e o engenheiro de som Eddie Kramer foram forçados a fazer às pressas uma remixagem a partir das gravações multi-canais, o que eles conseguiram terminar numa verdadeira maratona noturna. Esta foi a versão lançada em dezembro de 1967, apesar de Kramer e Hendrix mais tarde terem dito que nunca ficaram totalmente satisfeitos com o resultado final.

[editar] 1968
Por volta dessa época, desavenças pessoais com Noel Redding, combinadas com a influência das drogas, álcool e fadiga, conduziram a uma problemática digressão na Escandinávia. A 4 de janeiro de 1968, Hendrix foi preso pela polícia de Estocolmo, após ter destruído completamente um quarto de hotel num ataque de fúria devido à embriaguez.

A terceira gravação da banda, o álbum duplo Electric Ladyland 1968, era mais ecléctico e experimental, incluindo uma longa seção de blues ("Voodoo Child"), a "jazzística" "Rainy Day, Dream Away"/"Still Raining, Still Dreaming" e aquela que é provavelmente a versão mais conhecida da música de Bob Dylan "All Along the Watchtower".

A gravação do álbum foi extremamente problemática. Hendrix se decidira por voltar aos EUA e, frustrado pelas limitações da gravação comercial, decidiu criar seu próprio estúdio em Nova Iorque, no qual teria espaço ilimitado para desenvolver sua música. A construção do estúdio, batizado de "Electric Lady" foi cheia de problemas, e o mesmo só foi concluído em meados de 1970.

O trabalho antes disciplinado de Hendrix estava a tornar-se errático, e as suas intermináveis sessões de gravação repletas de aproveitadores finalmente fizeram com que Chas Chandler pedisse demissão em 1 de dezembro de 1968. Chandler posteriormente se queixou da insistência de Hendrix em repetir tomadas de gravação a cada música (a música Gypsy Eyes aparentemente teve 43 tomadas, e ainda assim Hendrix não ficou satisfeito com o resultado) combinado com o que Chas viu com uma incoerência causada por drogas, fez com que ele vendesse sua parte no negócio a seu parceiro Mike Jefferey. O perfeccionismo de Hendrix no estúdio era uma marca - comenta-se que ele fez o guitarrista Dave Mason tocar 20 vezes o acompanhamento de guitarra de All Along The Watchtower - e ainda assim ele sempre estava inseguro quanto a sua voz, e muitas vezes gravava seus vocais escondido no estúdio.

Muitos críticos hoje crêem que Mike Jefferey teve uma influência negativa na vida e na carreira de Hendrix. Comenta-se que Jefferey (que foi anteriormente empresário da banda The Animals) desviou boa parte do dinheiro que Hendrix ganhou durante a vida, depositando-o secretamente em contas no exterior. Também se crê que Jefferey tinha fortes ligações com os serviços de inteligência (ele se dizia agente secreto) e com a Máfia.

Apesar das dificuldades de sua gravação, muitas das faixas do álbum mostram a visão de Hendrix se expandindo para além do escopo do trio original (diz-se que este disco ajudou a inspirar o som de Miles Davis em Bitches Brew) e vendo-o colaborar com uma gama de músicos um tanto desconhecidos, incluindo Dave Mason, Chris Wood e Steve Winwood (da banda Traffic), ou o percussionista Buddy Miles e o ex-organista de Bob Dylan, Al Kooper.

[editar] 1969
A expansão de seus horizontes musicais foi acompanhada por uma deterioração no seu relacionamento com os colegas de banda (particularmente com Redding), e o Experience se desfez durante 1969. Suas relações com o público também vieram a tona quando em 4 de Janeiro de 1969 ele foi acusado por produtores de televisão de ser arrogante, após tocar uma versão improvisada de "Sunshine of your Love" durante sua participação remunerada no show da BBC1, Happening for Lulu

Em 3 de Maio ele foi preso no Aeroporto Internacional de Toronto depois que uma quantidade de heroína foi descoberta em sua bagagem. Ele foi mais tarde posto em liberdade depois de pagar uma fiança de 10.000 dólares. Quando o caso foi a julgamento Hendrix foi absolvido, afirmando com sucesso que as drogas foram postas em sua bolsa por um fã sem o seu conhecimento. Em 29 de Junho, Noel Redding formalmente anunciou à mídia que havia deixado o Jimi Hendrix Experience, embora ele de fato já houvesse deixado de trabalhar com Hendrix durante a maioria das gravações de Eletric Ladyland.

Em Agosto de 1969, no entanto, Hendrix formou uma nova banda, chamada Gypsy Suns and Rainbows, para tocar no Festival de Woodstock. Ela tinha Hendrix na guitarra, Billy Cox no baixo, Mitch Mitchell na bateria, Larry Lee na guitarra base e Jerry Velez e Juma Sultan na bateria e percussão. O show, apesar de notoriamente sem ensaio e desigual na performance (Hendrix estava, dizem, sob o efeito de uma dose potente de LSD tomada pouco antes de subir ao palco) e tocado para uma platéia celebrante que se esvaziava lentamente, possui uma extraordinária versão instrumental improvisada do hino nacional norte-americano, The Star-Spangled Banner, distorcida e quase irreconhecivél e acompanhada de sons de guerra, como metralhadoras e bombas, produzidos por Hendrix em sua guitarra (a criação desses efeitos foi inovadora, expandindo para além das técnicas tradicionais das guitarras elétricas). Essa execução foi descrita por muitos como a declaração da inquietude de uma geração da sociedade americana, e por outros como uma gozação antiamericana, estranhamente simbólica da beleza, espontaneidade e tragédia que estavam embutidas na vida de Hendrix. Foi uma execução inesquecível relembrada por gerações. Quando lhe foi perguntado no Dick Cavett Show se estava consciente de toda a polêmica que havia causado com a performance, Hendrix simplesmente declarou: "Eu achei que foi lindo."

[editar] 1970
O Gypsy Suns and Rainbows teve vida curta, e Hendrix formou um novo trio com velhos amigos, o Band of Gypsys, com seu antigo companheiro de exército, Billy Cox, no baixo e Buddy Miles na bateria, para quatro memoráveis concertos na véspera do Ano Novo de 1969/1970. Felizmente os concertos foram gravados, capturando várias peças memoráveis, incluindo o que muitos acham ser uma das maiores performances ao vivo de Hendrix, uma explosiva execução de 12 minutos do seu épico antiguerra 'Machine Gun'.

No entanto, sua associação com Miles não foi muito longa, e terminou repentinamente durante um concerto no Madison Square Garden em 28 de Janeiro de 1970, quando Hendrix foi embora depois de tocar apenas duas músicas, dizendo à platéia: "Desculpem por não conseguirmos nos entender". Miles posteriormente declarou durante uma entrevista de TV que Hendrix sentia que estava perdendo evidência para outros músicos. Passou o resto daquele ano em gravações sempre que arranjasse tempo, frequentemente com Mitch Mitchell, e tentando levar adiante o projeto Rainbow Brigde, uma super ambiciosa combinação de filme/álbum/concerto no Havaí. Em 26 de Julho Hendrix tocou no Sick's Stadium, em sua cidade natal, Seattle.


Sepultura de Jimi Hendrix no Greenwood Memorial ParkEm Agosto ele tocou no Festival da Ilha de Wight com Mitchell e Cox, expressando desapontamento no palco em face do clamor de seus fãs por ouvir seus antigos sucessos, em lugar de suas novas idéias, mesmo tendo momentos memoráveis (inclusive Jimi Hendrix executando a clássica "Machine Gun", com 18 minutos). Em 6 de Setembro, durante sua última turnê européia, Hendrix foi recebido com vaias e zombarias por fãs, quanto se apresentou no Festival de Fehmarn, na Alemanha, em meio a uma atmosfera de baderna. O baixista Billy Cox deixou a turnê e retornou aos Estados Unidos depois de supostamente ter utilizado fenilciclidina (N.T. substância analgésica).

Antes da morte, mais tarde no mesmo ano, Hendrix iria começar um novo projeto, junto com o guitarrista e baixista Greg Lake (na época no King Crimson) e o tecladista Keith Emerson.

Greg, que acabava de deixar o King Crimson e Keith procuravam por um baterista e percursionista, e chegaram a conversar com Mitch Mitchell. O ex baterista do Jimi Hendrix Experience, Gypsy Suns And Rainbows e Band Of Gypsys recusou, mas passou a ideia para Hendrix, que aceitou. A banda, que iria então ser formada pelos três, iria encorporar também Carl Palmer, como baterista, e se chamaria HELP (Hendrix, Emerson, Lake & Palmer). Infelizmente, Jimi morreu, mas o projeto seguiu, formando a banda de rock progressivo Emerson, Lake & Palmer, que produziu grandes sucessos, como Lucky Man, From The Beginning, Stil... You Turn Me On, entre outros.

[editar] Morte

Os dois edifícios que compunham o Hotel Samarkand Hotel. Hendrix morreu num dos dois apartamentos no porão, que eram acessados por degraus na frente dos edifícios.Jimi Hendrix morreu em Londres nas primeiras horas de 18 de Setembro de 1970, em circunstâncias que nunca foram completamente explicadas. Havia passado parte da noite anterior numa festa, onde a namorada Monika Dannemann o havia buscado, e ambos seguiram para o Hotel Samarkand, no número 22 da Lansdowne Crescent, em Notting Hill. Estimativas indicam que ele teria morrido pouco tempo depois.[18]

Dannemann alegou em seu depoimento original que Hendrix teria tomado (sem que ela soubesse), na noite anterior, nove comprimidos de um remédio para dormir que ela utilizava. De acordo com o médico que o atendeu inicialmente, Hendrix tinha se asfixiado (literalmente afogado) em seu próprio vômito, composto principalmente de vinho tinto.[18] Por anos Dannemann alegou publicamente que Hendrix ainda estava vivo quando o colocaram na ambulância; seus comentários sobre aquela manhã, no entanto, foram frequentemente contraditórios, e variaram de entrevista para entrevista.[19] Declarações de policiais e paramédicos revelam que não havia ninguém além de Hendrix no apartamento, e que não apenas ele estava morto quando chegaram à cena, mas também estava totalmente vestido, e já estava morto há algum tempo.[20]

As letras de uma canção composta por Hendrix e encontradas no apartamento levaram Eric Burdon a fazer um anúncio prematuro no programa 24 Hours, da BBC, de que Hendrix teria cometido suicídio.[21] Depois de um processo por difamação movido em 1996 pela namorada inglesa de Hendrix por anos, Kathy Etchingham, Monika Dannemann cometeu suicídio - embora seu último amante, Uli Jon Roth, tenha feito acusações de que ela teria sido assassinada.[22]

[editar] Legado
Parte do estilo único de Hendrix se deve ao fato dele ter sido um canhoto[23] que tocava uma guitarra para destros virada ao contrário . Embora ele tivesse e usasse diversos modelos de guitarra durante sua carreira (incluindo uma Gibson Flying V que ele decorara com motivos psicodélicos), sua guitarra preferida, e que será sempre associada a ele, era a Fender Stratocaster, ou "Strat". Ele comprou sua primeira Strat por volta de 1965, e usou-as quase constantemente durante o resto de sua vida.


Busto de Jimi Hendrix em Kielce na Polônia.Uma característica da Strat que Hendrix utilizou ao máximo foi a alavanca de trêmolo, patenteada pela Fender, que o habilitou a "entortar" notas e acordes inteiros sem que a guitarra saísse da afinação. O braço relativamente estreito da Strat, de fácil ação, foi também perfeito para o estilo envolvente de Hendrix e potencializou enormemente sua grande destreza - como pode ser visto em filmes e fotos, as mãos de Jimi eram tão grandes que lhe permitiam pressionar todas as seis cordas com apenas a parte de cima do seu polegar, e ele podia, pelo que dizem, tocar partes rítmicas e solos simultaneamente.

As Statocasters foram primeiramente popularizadas por Buddy Holly e pela banda britânica The Shadows, mas elas eram quase impossíveis de serem obtidas no Reino Unido até a metade da década de 60, devido às restrições de importação do pós-guerra. O surgimento de Hendrix coincidiu com o fim dessas restrições, e ele, de forma indiscutível, fez mais do que qualquer outro músico para tornar a Stratocaster a guitarra elétrica mais vendida na história. Anteriormente à sua chegada ao Reino Unido, a maioria dos músicos mais conhecidos utilizava guitarras Gibson e Rickenbacker, mas depois de Hendrix, quase todos os principais guitarristas, incluindo Jeff Beck e Eric Clapton, trocaram para as Fender Strats. Hendrix comprou várias Strats durante sua vida; ele deu várias de presente (incluindo uma dada ao guitarrista do ZZ Top Billy Gibbons), mas muitas outras foram roubadas e ele mesmo destruiu diversas delas em seus famosos rituais de queima da guitarra ao final dos shows.

As partes queimadas e quebradas de uma Stratocaster que ele destruiu no Miami Pop Festival em 1968 foram dadas a Frank Zappa, que mais tarde a reconstruiu e tocou com ela extensivamente durante os anos 70 e 80. Depois da morte de Zappa, a guitarra foi posta à venda pelo filho de Zappa, Dweezil. Em maio de 1992, Dweezil colocou a guitarra à leilão nos Estados Unidos, esperando faturar US$ 1 milhão de dólares, mas a venda não foi efetuada. Tentou novamente leiloá-la em Setembro, por 450 mil libras (em torno de 650 mil Euros), mas mais uma vez a venda não foi efetuada. A maior oferta feita por telefone, de 300 mil libras (em torno de 430 mil Euros) foi recusada. A lendária Strat branca de 1968 que Hendrix tocou no Woodstock foi vendida na Casa de Leilões Sotheby de Londres, em 1990, por £ 174 mil (em torno de 250 mil Euros). A guitarra foi re-vendida em 1993 por £ 750 mil.

Hendrix foi também um revolucionário no desenvolvimento da amplificação e dos efeitos com a guitarra moderna. Sua alta energia no palco e volume elevado com o qual tocava requeriam amplificadores robustos e potentes. Durante os primeiros meses de sua turnê inicial ele usou amplificadores Vox e Fender, mas ele rapidamente descobriu que eles não podiam aguentar o rigor de um show do Experience. Felizmente ele descobriu o alcance dos amplificadores de guitarra de alta potência fabricados pelo engenheiro de áudio inglês Jim Marshall e eles se mostraram perfeitos para as necessidades de Jimi. Assim como ocorreu com a Strat, Hendrix foi o principal promotor da popularidade das "Pilhas Marshall" e os amplificadores Marshall foram cruciais na modelagem do seu som pesado e saturado, habilitando-o a controlar o uso criativo de "feedback" (N.T. microfonia) como efeito musical.


Memorial a Jimi Hendrix, em Fehmarn, Schleswig-Holstein, na Alemanha.Hendrix foi também constante na procura de novos efeitos de guitarra. Ele foi um dos primeiros guitarristas a se lançar além do palco a explorar por completo as totais possibilidades do pedal wah-wah. Ele também teve um associação muito proveitosa com o engenheiro Roger Mayer e fez uso extensivo de muitos dos dispositivos desenvolvidos por ele, incluindo a "Axis Fuzz Unit" , o "Octavia octavia doubler" e o "UniVibe", uma unidade de vibrato desenvolvida para simular eletronicamente os efeitos de modulação dos alto-falantes Leslie. O som de Hendrix era uma mistura única de alto volume e alta força, controle preciso do "feedback" e uma variação de efeitos de guitarra cortantes, especialmente a combinação "UniVibe"-"Octavia", que pode ser escutada na sua totalidade na versão ao vivo de 'Machine Gun' gravada pela 'Band of Gypsys'.

A despeito da sua agitada agenda de turnês e seu perfeccionismo notório, ele era também um produtivo artista que deixou mais de 300 gravações inéditas, além de seus três LPs oficiais e vários compactos. Ele se tornou lendário como um dos grandes músicos do rock da década de 60 que, tal como Janis Joplin, Jim Morrison e Brian Jones se lançaram para o estrelato, tiveram sucesso por apenas uns poucos anos, e morreram ainda jovens.

[editar] Lançamentos póstumos
Depois da morte de Hendrix, centenas de gravações inéditas começaram a surgir. O produtor Alan Douglas causou controvérsia quando supervisionou a mixagem, remasterização e lançamento de dois álbuns de material importante que Hendrix deixara para trás em diferentes estados de finalização. São os LPs "Crash Landing" e "Midnight Lightning", e embora eles contenham várias faixas importantes, são álbuns considerados de qualidade abaixo do padrão; é quase certo que Jimi não os teria aprovado para lançamento se estivesse vivo.

Em 1972, o produtor britânico Joe Boyd montou um excelente filme documentário sobre a vida de Hendrix, que ficou em cartaz em cinemas ao redor do mundo por muitos anos. A trilha sonora dupla do filme, que incluía apresentações ao vivo em Monterey, Berkeley e Ilha de Wight é, provavelmente, a melhor das realizações póstumas.

Outro LP surgido nos anos 70 que valeu a pena foi a compilação ao vivo 'Hendrix In the West', que consiste de uma seleção das melhores gravações ao vivo em solo americano dos últimos dois anos de sua vida, incluindo uma brilhante execução da favorita nos concertos, a música "Red House".

Embora o filme em si seja geralmente considerado pouco interessante, a trilha de 'Rainbow Bridge' prova que realmente é um item que vale a pena, e agora é item de colecionador. Ela inclui várias faixas que eram destinadas ao projeto de lançamento do quarto disco de estúdio de Hendrix, 'First Rays of the New Rising Sun', a sequência não completada de Eletric Ladyland. Essas faixas de estúdio, incluindo Dolly Dagger, Earth Blues, Room Full of Mirrors e a melancólica instrumental Pali Gap, mostram Hendrix avançando suas técnicas no estúdio a novos níveis, assim como absorvendo influências de "Soul" contemporâneo e do "Funk" de James Brown, Sly & The Family Stone e George Clinton[24].

O LP da trilha sonora de 'Rainbow Bridge' se destaca pela extensa versão ao vivo de outra das melhores apresentações de Hendrix, a versão elétrica de dez minutos do "stardard" do blues 'Hear My Train A Comin'. Ele gravou originalmente essa música em 1967 para um filme promocional, tocando-a em caráter improvisado num blues ao estilo do "Delta" em um violão de 12 cordas emprestado. A versão eletrificada de 1970 (que permanece ao lado de 'Machine Gun' como sendo uma das suas melhores gravações ao vivo) mostra a música transformada, quase irreconhecivel; como 'Machine Gun', ela apresenta todos os elementos clássicos e algumas inspiradas improvisações do som elétrico de Hendrix. A faixa foi gravada ao vivo em um concerto no Centro Comunitário de Berkeley, na Califórnia; um pequeno trecho filmado dessa apresentação ao vivo foi também incluída no filme "Jimi Plays Berkeley".

O interesse por Hendrix diminuiu um pouco nos anos 80, mas com o advento do CD, a Polygram e a Warner-Reprise começaram a relançar muitas das gravações de Hendrix em CD no fim dos anos 80 e início dos 90. Os primeiros relançamentos da Polygram foram de baixa qualidade e Eletric Ladyland teve prejuízo particular, sendo evidente a transferência das fitas originais do LP, com as faixas colocadas fora da sua ordem correta. Isso refletiu na ordem original do LP, um artefato dos dias em que os LPs duplos eram prensados com os lados um e três em um LP e e os lados dois e quatro no outro LP, para que os discos pudessem ser colocados em uma vitrola automática e tocados em sequência direto, somente trocando-os de lado uma vez.

A Polygram lançou em seguida um conjunto duplo de 8 CDs de qualidade superior com as faixas de estúdio em um conjunto de 4 CDs, e as apresentações ao vivo em outro. Isto foi seguido pelo lançamento de um conjunto de 4 Cds de apresentações ao vivo pela Reprise. Um documentário de áudio, originalmente feito para rádio e mais tarde lançado em 4 CDs também foi lançado por essa época e incluía muito material inédito.

No final dos anos 90, depois que o pai de Hendrix recuperou o controle sobre a propriedade de seu filho, ele e sua filha Janie estabeleceram a companhia "Experience Hendrix" para promover e cuidar de todo o extenso legado de gravações de Jimi. Trabalhando em colaboração com com engenheiro original de Jimi, Eddie Kramer, a companhia iniciou um extenso programa de relançamentos, incluindo edições totalmente remasterizadas dos álbums de estúdio e CDs de compilações de faixas remixadas e remasterizadas destinadas ao álbum 'First Rays of New Rising Sun'. Em 1994, foi lançado a compilação chamada Blues. Em 1999, em comemoração ao aniversário de 30 anos do Festival de Woodstock, foi lançado o álbum duplo Live at Woodstock.

Até agora, a companhia "Experience Hendrix" faturou mais de US$ 44 milhões de dólares em gravações e "merchandising" associado.

[editar] Herança
Na falta de um testamento, Al Hendrix, pai de Jimi, herdou os direitos e "royalties" das gravações do filho, e confiou-os a um advogado, o qual supostamente enganou Al convencendo-o a vender esses direitos a companhias pertencentes a ele próprio. Al processou-o em 1993 por administrar de forma incompetente esses bens. O processo foi financiado pelo co-fundador da Microsoft, Paul Allen, um fã devoto de Hendrix de longa data. Em uma resolução de 1995, Al Hendrix finalmente recuperou o controle sobre todas as gravações do filho. Diversos álbuns foram então remasterizados a partir das fitas originais e relançados. Al Hendrix morreu em 2002 com 82 anos. O controle dos bens e da companhia Experience Hendrix, que fora montada para administrar o legado de Hendrix, passou então à meia-irmã de Jimi, Janie.

Em 2004, Janie Hendrix foi processada por seu meio-irmão, Leon Hendrix, irmão mais novo de Jimi, o qual foi deixado de fora do testamento de seu pai, em 1997. Ele buscava a restauração de sua parte na herança e a remoção de sua meia-irmã da posição de controle da propriedade de Hendrix.

Parte de sua herança foi doada para o Instituto Live Aid

Jimi Hendrix






Jimi Hendrix
James Marshall "Jimi" Hendrix (nascido Johnny Allen Hendrix; Seattle, 27 de novembro de 1942[1] – Londres, 18 de setembro de 1970) foi um guitarrista, cantor e compositor norte-americano. Frequentemente é citado por críticos e outros músicos como o maior guitarrista da história do rock,[2][3][4] e um dos mais importantes e influentes músicos de sua era, em diferentes diversos gêneros musicais.[5][6][7] Depois de obter sucesso inicial na Europa, conquistou fama nos Estados Unidos depois de sua performance em 1967 no Festival Pop de Monterey. Hendrix foi a principal atração, dois anos mais tarde, do icônico Festival de Woodstock e do Festival da Ilha de Wight, em 1970. Hendrix dava preferência a amplificadores distorcidos e crus, dando ênfase ao ganho e aos agudos, e ajudou a desenvolver a técnica, até então indesejada, da microfonia.[8] Hendrix foi um dos músicos que popularizou o pedal wah-wah no rock popular, que ele utilizava frequentemente para dar um timbre exagerado a seus solos, particularmente com o uso de bends e legato baseados na escala pentatônica. Foi influenciado por artistas de blues como B.B. King, Muddy Waters, Howlin' Wolf, Albert King e Elmore James,[9][10][11][12] guitarristas de rhythm and blues e soul como Curtis Mayfield, Steve Cropper, assim como de alguns artistas do jazz moderno.[13] Em 1966, Hendrix, que tocou e gravou com a banda de Little Richard de 1964 a 1965, foi citado como tendo dito: "Quero fazer com minha guitarra o que Little Richard faz com sua voz."[14]

O guitarrista mexicano Carlos Santana sugeriu que a música de Hendrix poderia ter sido influenciada por sua herança parcialmente indígena.[15] Como produtor musical, Hendrix também inovou ao usar o estúdio de gravação como uma extensão de suas ideias musicais. Foi um dos primeiros a experimentar com a estereofonia e phasing em gravações de rock.

Hendrix conquistou diversos dos mais prestigiosos prêmios concedidos a artistas de rock durante sua vida, e recebeu diversos outros postumamente, incluindo sua confirmação no Hall da Fama do Rock and Roll americano, em 1992, e no Hall da Fama da Música do Reino Unido, em 2005. Uma blue plaque (placa azul) foi erguida, com seu nome, diante de sua antiga residência, na Brook Street, de Londres, em setembro de 1997. Uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood (Hollywood Boulevard, 6627) foi dedicada a ele em 1994. Em 2006 seu álbum de estreia nos Estados Unidos, Are You Experienced, foi inserido no Registro Nacional de Gravações, e a revista Rolling Stone o classificou como o melhor guitarrista na sua lista de 100 maiores guitarristas de todos os tempos, em 2003.[16] Hendrix também foi a primeira pessoa a fazer parte do Hall da Fama da Música Nativo-Americana.